quinta-feira, 16 de junho de 2011

ESGALHOS ( wikcionario wik dicionario onomastico etimologia )

Alice era um lavadeira que não lavava no rio /
São Francisco descalço nos seixos da cachoeira em cantilena monótona /
- um rio cantante na terra /
à flor da terra /
ou sobre a pedra acinzentada /
vergastada pela água translúcida /
com as madeixas encaracoladas /
escacheantes /
como cabelos de deusa grega
ninfa ou nereida /

Não batia roupa na pedra rígida /
consoante sói às lavadeiras /
no ancho rio onde o peixe pulula..: /
no principio Deus criou o peixe /
empós por o espírito a cismar sobre as águas /
- a pensar no pensamento do momento /
monumento ao homem do vulgo /
que é a metafísica de Aristóteles /
a fisiognomonia do filósofo... /

Alice era triste e só /
monja sem eremitério ou ermida /
nem nada teologal /
escassa instrução /
nenhum vislumbre intelectual /
humílima sabedoria /
ao gosto dos frades menores sob a ternura de Francesco /

Soturna, macambúzio semblante , indolente ou esquecida de si
nem cantava ou harpa tocava /
tocava o olho na harpia /
que voejava na abóbada celeste /
que é um violinista celeste, azul /
ou cimo de inflorescência anil /

Nenhuma cantilena vinha de sua voz /
mesmo se fosse de improviso /
numa inspiração repentina /
a mirar e ouvir a água cantante batendo na pedra /
descendo na cachoeira de cabelos escachoantes /
aos cachos de deusa grega com espuma /
- com as "espumas flutuantes " escritas por Castro Alves /
excelso poeta destas terras e águas /
com palmeiras e verdejar /
e marimbondo a versejar /
(a poesia lírica do marimbondo /
épica em Camões e canhões nos ferrões /
que picam e ficam na ferida onde houve a picadura /
com dor para envergadura de condor nas alturas dos Andes /
aonde voou a poesia de Castro Alves /
elevada e andina e condoeira /
da envergadura do condor a planar sobre a Cordilheira dos Andes /

A cascata do rio São Francisco canta a noite inteira /
depois que o tempo diminui o ritmo /
no pingar do orvalho em madrigal na madrugada /
que em si é um madrigal /
musical com trovadores românticos /
em eufêmias de amor /
na cantiga de amor /
na cantiga de amigo /

Contudo Alice não cantava /
nem uma amarela canção de beco /
um pintainho amarelinho que Dorival Caimy punha fora /
na canção que compunha e gorjeava /
o poeta popular da Bahia de todos os santos /
travestidos nos orixás da África /

Apenas lavava lá em casa /
a trouxa de roupa /
sobre a cisterna /
que tinha um bizarro mecanismo /
para trazer a água do lençol freático /
que imagino havia lá no subsolo profundo... /
onde o menino olhava maravilhado /
- para o menino o mundo e a maravilha! /
tudo é tão novo /
quanto o menino e seus sentidos /
a captar o mundo /
em tanta vastidão de coisas a ver /
cheirar, degustar, sentir, enfim... /
- o menino é um reino à parte /
do reino animal do homens... /

Ela lavava lá em casa /
sem lá lá lá... : lá em casa! /
sobre a cisterna aberta e funda /
Torcia e batia a roupa /
ante meus olhos de menino engolindo o mundo /
gulosos olhos curiosos /
pretos olhos grandes de anum assustadiço /
a voar pelos esgalhos que o dia punha nos arbustos /
floridos ou desfolhados galhos na decaída do outono /
decídua temporada de folhas amarelentas /
a girar lentas no ar /
até cair no chão folhado /
ou folheado a amarelo carmelo /
com algumas flores pulando de pára-quedas das árvores /
e outras vindo pousar de helicóptero /
de uma árvores com flores brancas /
- flores helicoidais /
que giravam no ar qual helicóptero Apache /
brancas como noivas de vestido branco /
mais alva que a flor de laranjeira na barra da alva /
( flor de alba /
Alice era uma flor de alba /
da grande barra da alva /
que lava o areal da orla do rio São Francisco /
Era algo alva ou de alba /
filha da manhã antes da luz dilucular /
na madrugada gelada /
conquanto sua pele fosse do amarelo /
tinta na cor amarela da janela /
da gelosia ou da parede interna da casa /
- da casa interior amarela /
que fica na aldeia da imaginação do pintor Marc Chagall /
- na vila do poeta onde chegou o circo-de-cavalinhos!...
para sempre menino!...
- até a tragédia escatológica /
a tragédia da morte fria e escura /
com máscara sem orifício para os olhos! ) /

Era velha e morava numa casa de doida /
- casa onde a noite habitava em todas as trevas /
com todas as partes mais negras revestidas de trevas /
- casinhola a tecer trevas num novelo /
uma tela para cobrir a saudade da Penélope de Odisseu... /
que a vida é esta espera /
de alguém ou algo que jamais chega ao destino /
mesmo no batel ou no planador no bergantin... /
- o destino é sem fim /
e o itinerário traçado pela bússola do imaginário /
é somente caminho de água ou terra ou céu sem fim de azul ou cinza... /
para penitente com cinzas sobre a cabeça e silício /
e vestido com sacos para o desfile do mendigo /
- que é o homem ( nós, cavalheiros à beira-mar!
aguardando o batel... ) /

Numa casa de louca /
desaparecida no amarelo /
olvidada pelo amarelo /
que esquecera a cor das paredes internas e externas /
amarelo flácido /
se há flacidez visível no amarelo /
revestido de uma tonalidade cromática que amarelecia o olho /
numa febre amarela de olhar /
Alice habitava uma casa mancando e quase caindo /
( casa-fantasma que dava medo à lua! ) /
cujas paredes e teto estavam a pique /
sobre a cabeça da pobre velha /
exposta às intempéries /

As paredes escoradas com madeira podre por colunas /
e em companhia solitária dos cães /
que velavam as velas a soprar a vasta vela noite /
até atingir o ápice do branco na vela da barra da alva /
- branca vela de veleiro nos olhos em paz de pombas /
depois de arregalados e revirados /
até o vidrado final /
no bizarro orgasmo da morte /
última parceira sexual amorosa /

Ali naquela casa a pique /
casa à deriva /
Alice alimentava o fogo na vela /
ou no candeeiro antigo e amassado /
( a vida de Alice estava amassada na massa /
que a gravidade amassa na massa /
na massa do átomo e da molécula /
na massa de um planeta ou de uma grande estrela ou galáxia /
na massa falida /
e na massa popular /
massa de manobras do demagogo ) /

Alice não tinha pais nem país algum /
( nenhum Brasil queimava sua brasa no pau ali /
- passava bem sem pau-brasil ) /
nem tampouco homem ou filha /
não tinha história nem tampouco estória /
mas uma ou outra lenda negra /
rondava sua vida /
- macabra lenda de mulher solitária e em perpétua solitude /
que era uma eremita sem o ser /
sem querer ou saber de ermitoa /
sem cacoete para sóror /
- era ermitoa ao modo próprio /
também pelas circunstâncias da vida /
e continuou sendo foi eremita sobre a terra /
uma erva só na terra longa em léguas e alqueires /
até perder os olhos de vista /
para a morte negra /
na morte escura /
que mascara a treva /
mascara os olhos /
tapa a luz dos olhos /
desfaz a luz num borrão /
ignora Lúcifer /
faz cair e jazer em terra /
- nos subterrâneos de Hades /
até que a alma ascenda ao descendente /
que aspira seu corpo em podridão no chão /
e respire aspirando-a para cima /
na primeira inspiração /
soada antes na sopro de Deus na trombeta /
e inflando assim os pulmões de Alice /
em nova parte feita de seu corpo /
com outros corpos /
que pisaram sobre ervas daninhas /
no solo argiloso e nada ardiloso /
raiz para pés /

Alice sempre esteve alienada /
- exilada do país das maravilhas /
aonde não palmilhara peregrina /
andarilha andorinha /
- não conhecera lebre ou chapeleiro maluco /
nem tampouco a rainha branca ou escarlate /

Talvez quem sabe /
na consonância da lenda lúgubre /
que se tecia ante ela /
na sua vida despojada ao extremo /
tivesse uma filha /
que ficara sob a vegetação do tempo /
nos esgalhos retorcidos da primavera pondo flores /
nas formas arbóreas que estendem galhos em esgares /
como se fossem mãos ou carantonhas de bruxas biltres /
Uma filha!...: era o balbucio, o sussurro das vozes do tempo /
na faringe ou laringe de mães ou minha avó... /
- um filha! que poderia ser encontrada /
no País das Maravilhas /
que dista um sonho daqui e dali /
- Dali ou de lá ou acolá /
conforme a audácia ou temeridade encontradiça na obra de um salvador /
dali ou de cá ou quiçá de acolá /
- de um Salvador Dali! /
um salvador de Alice /
que por certo não seria Jesus!...) /

quarta-feira, 15 de junho de 2011

AUTISMO ( wikcionario dicionario etimologia enciclopedia wiki)

Náufrago que deu na alva areia /
que peneira a ilha /
- sou Robinson Crusoé! /
o solipsista Robinson Crusoé /
Também sou e sei que sou a areia branca /
alva areia, areal extenso.../
e a praia na costa litorânea que se espraia /
a praia lânguida na orla marítima /
na languidez do havaiano /
com o vento ainda menino traquinas /
balouçando nos braços dos coqueiros /
verdes cordas em olhos de tocar o vento com carinho /
- ternura de Chopin ao piano /

Sou o mar lambendo o sal /
- sal que sou em minha solidão solar /
solícito com solidéu /
e solitude anil levantada ao céu /
alçada até ao azul em cimo /
no paco-paco-papaco peco do pico /
com potes de chuva potável /
com o ápice do anil franqueado a olhos d'água vistos cheios /
( a olhos vistos nos olhos d'água sem mágoa na água ) /
veios seios cheios de enleio no leito /
da ribeira que corre na beira da cachoeira /
com a cabeleira de deusa grega em cachos na espuma flutuante /
anotada por Castro Alves em poesias /
Oh! solitude que mensuro /
- solitude ante mim e meus olhos no horizonte /
que já mentiu o anil /
do qual omitiu o til /
pois há um til fora do anil /
vil til do bem-te-viu /
que ti viu anil no céu /
anilado pela anileira /
cujo plantio é de ponta cabeça /
( planta plantada de ponta-cabeça!) /

Sou Robinson Crusoé exausto na costa leste /
latitude longitude olhada de esguelha na olhadela dela /
da bela amarela na pintura de Modigliani /
que espraia a vela perdida no horizonte /
longe da orla onde /
o naúfrago bateu em areia /
( e o que é bateia? /
Pergunta sem contexto /
exceto com o limo da rima /
- quesito prejudicial /
sem pedra filosofal /
ou Monte Pascal /
em tom clerical /
do tempo medieval /
ó Bernardo de Claraval /
dos beneditino brancos /
contra os beneditinos negros /
cuja irmã vivia no Priorato de Graville /
na solidão do claustro das Cartuxas ) /

Voltando da digressão : /
sou Robinson Crusoé /
sozinho na ilha /
em solitude no mundo /
quiçá no cosmos em contexto grego /
mas não gregário /
enfim no universo com matéria negra /
energia escura permeando todo ato e fato /
tudo tato no mato onde vou até o pé de pato /
e de pequi com caserna para marimbondos e cupim assim /
num mundo de anum mudo sem fim nos confins /

Em pé na areia branca /
com a barra da alva na mão /
e uma flor de laranjeira nos olhos /
o odor da flor de laranjeira nas narinas /
e no vento que passa pelos pelos do nariz /
simples assim sim /
Robinson Crusoé sou /
me escrevendo e me lendo /
nas dupla pessoa do discurso /
locução interlocutória com monólogo e redundância redonda /
no eclipse da elíptica /
prevista na hipótese da equação elipsóide /
uma sentença aberta /
escrita em natura o que está grafado e desenhado no pé de pequi /
que olha do verde das duas folhas e ri /
em frutos encapsulados em verde envoltório /
relicário cujo verdor guarda no anjo da guarda /
o ouro amarelo do fruto /
que é fruta fresca na legislação tributária /
isenta de tributos pelo fisco em Minas /
a mancheias nos campos gerais /
das minas gerais de frutos do cerrado /
filão de frutos e flores /
ervas daninhas e arbustos /
lianas pela flexibilidade das cobras que serpenteiam /
pelo poder da peçonha da jararaca /

Se eu escrevesse um diário /
tipo o diário de Anne Frank /
narrando os horrores inenarráveis da guerra /
que é mais guerra durante a paz das pombas /
diria que hoje e todo dia /
é dia de estratégia para armar a guerra /
mesmo na paz das igrejas /
eivadas de guerras semiológicas /
e batalhas teológicas /
refregas lógicas /
para desgosto das pombas de colarinho azul-pombal /
azul qualquer coisa além do céu de anil puro /
bebida da planta /
que dá um suposto sumo anil /
de anileira desplantada do azul do céu anil /
arrancada com raiz da terra negra da noite do anu /
- anum num bando que forma as moléculas de trevas /
a mole das trevas no edifício da noite /
feminina nos olhos e nos longos cabelos /
penteados com esmero /

Se começasse um diário hoje /
diria que todo dia é hoje /
ontem e amanhã é meramente abstracto, /
abstracção de um pedaço do espaço que chamamos tempo /
a porção móbil do espaço /
o pedaço que se desloca por ser leve /
de pequena massa ou mole /
no sentido da mole do edifício /
que se vê á distância /
e da mole que forma a palavra molécula /
exprimindo o significado de massa no radical /
não importando se grande ou pequena quantidade de massa /
se na mole do edifício ou no corpúsculo formado por moléculas /
como a mole da água corrente /
esbravejante na torrente veloz /
descendo pela escada do rio /
como se água fossem anjos a descer e subir na escada de Jacó /
( Sem embargo dos percalços que os há /
lá para lá do luar (bah!) /
há um ontem abstracto, /
abstraído da realidade do hoje, /
espaço em tempo real, natural, objectivo /
e objecto dos sentidos : /
objecto abstrato, ente mental, /
que é ontologicamente,/
mas não existe,/
não está no mundo, /
porém estava naquele tempo abstracto que denominamos ontem /
que a onomástica cobre tudo em equações de sentido ) /

Hoje(sic), no entanto, /
vejo o tempo como o espaço móvel,/
o espaço com mobilidade
ou, abstraindo o espaço, a mobilidade, o movimento ; /
enfim e menos abstractamente falando : /
hoje vejo o motor, /
conquanto o motor seria o que impulsiona o movimento /
e então "complexica" e "perplexica" o conceito de movimento /
para ironizar a perplexicação e complexicação /
ou a abstracção percebida no conceito anterior /
enfocada na concepção anterior de tempo /
não para inovar ou inferir outra categoria temporal /
porquanto o tempo é motor que se move sem motor /
arranco sem torque de quinhões do espaço /
elucubrados depois em equações com derivadas parciais /
que cantam o canto de Planck e Einstein /
( equações da luz e da propagação das ondas /
- equações de tudo o que se move /
e é motor ao se tornar móvel ) /
Sou Robinson Crusoé até na concepção do tempo /
não apenas algo que está na cadeia das palavras /
mas que transcende à teia das palavras /
que é uma teia conecta tal qual a da vida /
ou o ciclo da água ou do motor Otto de combustão interna /
mas também no entendimento que tenho de tempo /
de discrepa de Einstein e Newton( ai de mim!) /
e põe no mundo o tempo não apenas como algo natural /
consoante sói à filosofia natural /
porém põe o tempo como vocábulo /
que é algo que refoge à realidade plena /
e se refugia na realidade enquanto algo dado aos sentidos /
e que depois intelectualizamos no desenho do conceito /
e põe o tempo no mundo para além do simples ato de pensar /
e que pensa com a voz da filosofia natural que o tempo é objeto
presente no real /
e não apenas objecto dos sentidos ou da razão /
que observa os fenômenos no mundo contando-os /
graças ao intelecto humano e a diversidade dos indivíduos /
bem como pelo poder do uso da razão /
( exclua a grei miserável /
intelectualmente inerme /
inerte amorfa massa /
para os quais somente há uma resposta /
e uma verdade alheia a eles /
que não conseguem ser indivíduos /
porém apenas grupos /
rebanhos no pasto ) /
tirante estes infra /
há tantas respostas quantos indivíduos ,/
tantas verdades quantos são os indivíduos /
e se contam as inteligências não como sete /
porém quantos são os indivíduos /
também são as inteligências humanas /
graças a Voltaire e depois a Deus /
( natureza, da qual Deus é o símbolo mais palpável e sensível à
textura antropológica e
cêntrica, /
centrípeta força )./
Na verdade ( que é o bom em grego em grego antigo ) /
não existe a verdade, mas a filosofia; /
mas fora do falar grego tangendo para a metafísica /
nem a sequer existe a filosofia há... /
- o que há são filósofos /
meras representações do homem /
( alienação do homem em filósofo /
um ser menos que o homem /
porquanto o homem é tudo : /
monge, médico, monstro, gari, poeta, advogado, doméstica..../
enquanto o filósofo é apenas filósofo /
- um pedaço do ser do homem /
que nem é um homem /
porque parte do homem /
alienado numa profissão de fé /
mesmo no existencialismo ateu ) /

Não obstante, sou Robinson Crusoé /
uma personagem fictícia que encarno /
que somente é em mim /
no bojo do meu ser /
Sinto-me Robinson Crusoé num diário sem diálogo /
( Robinson Crusoé, cujo livro leio, li ontem ) /

Sou Robinson Crusoé /
e simultaneamente sou Anne Frank /
comentando a vida /
olhando para o espelho do tempo no pó da luz /
Ademais, a luz em pó no espelho do tempo em pó /
caído com o anjo decaído no pó do solo para ervas daninhas, /
( dente-de-leão no chão com a forrageira do anil por cima /
em céu de mil azul com flor azul ) /
dá-me olhos e olhar /
para perceber a luz que olho e faz o olho /
( faz o olho com um bisturi de luz ou obsidiana ) /
guardada na redoma do ato natural de fazer pensando /
Meditando silente olho o olho da luz /
olho no olho da luz /
( a luz é o olho que fabrica o olho e o que olho ) /
onde nado e navego com o olhar /
barco para outro mar à vela /
puro veleiro aproando à sotavento /
Nado na luz com os olhos /
piso na luz e nela abro uma picada /
um caminho que vai aos peixes /
que nadam dentro de mim em pensamento /
e fora de mim no azul para pássaro /
que outro nome que se dá aos crustáceos /
que voam incrustados no céu de pedra preciosa tracejada a lápis-lazúli /
ou viaja pelos olhos no azul da ametista /
viandante à sombra do teque-teque /
ou do atum no mar sem anum /
porquanto um anum no céu é quinhão de noite /
todavia um bando de anum faz a noite ser um anu-preto enorme /
esticado qual tapete persa num céu vivo /
para pássaros no azulão do dia /
e morcegos negros no negrejar da noite /
na calada da escura rumando para anum /
tecendo anu na maré alta em ondas negras /
de mar da noite /
pois a noite é um mar negro /
e uma necromante bela com cabelos longos nigérrimos /
de mulher jovem em pleno poder sexual /
no império sexual vasto da bela mulher /
longas as madeixas tal qual o império dela /
sobre os pobres romanos em campanha /
contra a rainha Cleópatra /
lá do Egipto antigo e fixo nas pirâmides /
signos e símbolos eternos /
que fazem pó da luz no espelho /
onde se olha a bela /
aonde ela vai mergulhar na luz /
com mel e leite no oceano perpétuo de luz /
que desmancha o tempo em pó /
e mantém rígidas as pedras das pirâmides /
e as rochas e gemas dos olhos /
asseverando que eu sou o tempo /
no azul do pássaro sobre as cordilheiras de costa a costa /
no verde abissal matizado nas algas que ambienta o molusco e o
tubarão-cabeça-de-martelo /
e no anul do céu aberto escuro para morcego e coruja pia /
que vasculha e bisbilhota a calada escura sem escusa /
- sou a substância do tempo /
e mesmo a gosma nojenta que move o espaço no caramujo /
porquanto espaço é porção do tempo deslocada /
movida como a areia que o vento toca /
- e toca viola, ó violeiro bom! /

Sou Robinson Crusoé e o mundo é minha ilha /
sendo o mundo o corpo que me circunda /
e o tanto de água para mar que sou /
em meu estado físico da matéria /
( expressão estúpida e científica, pomposa.
A estupidez científica é menos estúpida? /
ou menos estupidez ?! ) /

Se eu começasse um diário hoje ( amanhã?) /
tipo Anne Frank /,
o diário de Anne Frank, /
escreveria sobre a guerra /
tal qual Anne Frank escreveu /
sempre sobre a maldita guerra /
cavaleiro da peste e da fome /
cavaleiro negro da desgraça /
- a guerra é o demônio solto a cavalo /
galopando no mundo /
predador pronto e apto máxime para matar /
ferir com peste negra e fome amarela /
sobre o cavalo amarelo /
que galopa fosco no lusco-fusco /
até destruir o caminho do trigo /
até apagar as marcas dos pés do milho /
até apagar o fosco do amarelo no sol /
apagar o espectro amarelo nos pés descalços do trigo /
que anda até o pão /
este andarilho de longa peregrinação /
que é o trigo e o milho em bonecas com bastas cabeleiras /
para brincar de vida com as meninas /
( porque estamos em tempo de guerras /
quando todos os diabos estão no tempo /
como motor do mundo /
que gira sob seus pistões /
e, entretanto, teimam em dar o prêmio da paz para o promotor da guerra /
o senhor do conflito bélico /
onde pousa a águia peregrina /
e o falcão peregrino /
a fim de inviabilizar a percepção da guerra /
e desviar as ondas senoidais /
para a semiologia de guerra , sem paz, /
que comunica os horrores de um campo de concentração /
e um genocídio pretérito /
( holocausto é vocábulo mais caro ao desgosto dos irmãos judeus, ó
Kafka, Kiekiegaard! /
no abstracto aberto a todo pano
ao veleiro da imaginação no vento que sopra o deus Eolo da Grécia /
antiga, fazendo o presidente do império atual parecer a paz da paz, /
que a grei católica gosta de ver como o consolador Espírito Santo, /
um estado da alma mitificada /
ou mística na rosa e na cruz /
ambas pelo mar escarlate do sangue /
grego judeu romano celta vândalo godo visigodo /
engodo é que não é )./

Sou Robinson Crusoé numa ilha do pacífico,/
talvez atlântico, ou atlante, /
e mal grado a solidão monástica, estou em guerra, /
apesar da solitude de longa terra para um povo de pés no Rio Pó, /
paradoxalmente, estou sem paz, ainda à sombra das pombas /
porquanto não me deixo em paz à sombra dos caminhos /
que descaminham antípodas /
e fogem dos chinelos
das sandálias franciscanas ou havaianas
ou dos pés descalços das carmelitas descalças /
nos caminhos incansáveis e longos nas areias para os pés exaustos dos
pacificadores /
marcas nas areias velhas das ampulhetas /
que olham com cintilação das estrelas /
lá de cima da Nebulosa do Relógio de Areia. /
Sou Robinson Crusoé /
não obstante se eu fosse escrever um diário /
não seria como o de Anne Frank, /
embora ela descrevesse os horrores da guerra /
e eu saiba desses horrores dos homens no "front" cotidiano, /
da batalha perdida quotidianamente para o maldade humana /
Não falaria de mim /
( e estaria, inobstante, escrevendo sobre mim, uma auto biografia, /
ou quiçá "Memórias de um cínico com gosto de Menipéia" /
pois mesmo falando de objetos e de outros seres humanos, /
estou a falar de mim por meio desse reflexo do meu ego /
ou subjetividade ( objecto subjacente é o pensamento ) /
no que observo e ponho como objeto do meu logos não
grego, /
da lógica, Farol de Alexandria metafórico e real /
na simultaneidade que é o pensamento, /
ser no qual não se separa o tempo do espaço, /
conquanto nas palavras que traduzem o pensamento /
venha a abstracção, que não entra na intimidade do pensamento, /
o ser que nos põe no mundo enquanto seres pensantes /
e não apenas perceptivos e ativos pelo corpo. /
Agimos também e principalmente, e antes do tempo, pelo pensamento), /
falaria da minha idéia que perpassa, una, coerente, /
a tudo o que faço de objecto./

( Ah! a propósito! ( cruel propósito) : adoro os textos da
Menipéia...mande-mos mais /
ó monólogo em forma de leitor /
que me lê ou não /
ou que me leio enquanto escrevo e o pós-escrito /
pois eles ( os textos ) estão no plasma social, econômico, político,
axiológico, /
dentre outros universos correlatos /
( e todos os universos, no caso, são universos bolhas, /
paralelos, alelos, tais quais genes, /
processados no "sabat" ( "sabá") judaico e grego, /
os quais são alguns dos símbolos e arquétipos /
fundantes e constitutivos da mente humana, /
templo da ociosidade perpétua ) /

Eu sou Robinson Crusoé /
e tenho um modo de pensar e ler /
uma tese ( território ) no mundo /
e toda uma economia e um mercado negro /
não existiriam sem mim /
e seriam afectados por um ato hipotético, /
da minha inexistência real ou ficta /
social e individual /
pois se sou Robinson Crusoé /
devido à minha auto-consciência /
outrossim minha consciência me diz e assinala /
outros Robisons Crusoés no mundo /
captados pelos meus sentidos /
e também mensura a realidade e irrealidade /
da ficção que sou passando pelo caminho da natureza /
da física que me circunda e penetra o corpo /
ainda na mente com a dopamina e as endorfinas /
( porquanto a ficção tem existência mas não vida /
é real no ser que o pensamento faz com a imaginação e o significado /
e irreal em natureza física ) /
que, todavia, pode se tornar real /
ao nascer o "ovo" que encete o contexto ou teia /
que faça existir outro modo de pensar e ler /
o mundo social e, consequentemente, transcrevê-lo para o direito,/
ou seja, normalizá-lo, porquanto muito do que existe no mercado negro,/
ou é produto ou mercadoria do supramencionado mercado,/
se deslocaria para o mercado livre /
( não o do site homônimo, claro),/
mas para o mercado ordinário, /
livre ou regulamentado em lei, quando fosse o caso /
e se fosse, quando fosse. /

Sou Robinson Crusoé /
enquanto idéia e ideal /
com uma ideologia política /
ou céptico e mesmo cínico /
crítico sarcástico e incréu /
( As ideologias são complexos à parte, /
inclusive à parte do mundo real, da realidade, /
pois, obviamente, são idealidades, /
mas, concomitantemente, são mais que idealidades e realidades, /
são seres, entes mentais da espécie das Quimeras, centauros, /
entes cujos existência é meio real e meio ficta,/
corpos de dubiedades, /
se pudermos usar essa expressão ambígua /
para tentar exprimir essa ambiguidade lógica, real e imaginária /
ao mesmo tempo e no mesmo espaço mental e social ) /
assim como ferindo interesses de vários grupos poderosos /
que desejam que tudo continue /
como dantes sem quartel de Abrantes.) /
Sozinho no mundo /
sou Robinson Crusoé entre ilhas Maldivas /
usufruindo de plena solitude /
de quem está no campeonato de moto velocidade /
( motovelocidade é Valentino Rossi /
ninguém mais que Valentino Rossi ) /
com um adversário há mais de 20 segundo atrás /
e o outro 25 segundos à frente /
sem importar as posições do solitário em pista /
- piloto em solitude no autódromo /
e solidão na alma que acelera a Yamaha /
ganhando força no motor Otto /
ciclo Otto do motor /
roncando no torque da motocicleta /
do doutor Valentino Rossi /
um ilustre e típico representante da ordem da cavalaria medieval /
( cavaleiros de Malta e templários e hospitalários /
e um cavaleiro de triste figura escanchado desdenhosamente sobre um
rocim fraco /
na aventura quotidia na sob o põe das auroras em forma de rocio /
- claro rocio que guarada a imagem da lua amarela e recordata no papel /
de lua minguante ou quarto crescente /
ou novilúnio ou plenilúnio quando álacre e sorridente no céu negro ) /
- cavaleiro negro foragido de um Apocalipse escrito em rolos de pergaminho /
sob o capacete (antigo elmo do ambulante Dom Quixote de la Mancha ) /
e balaclava dentre outros adereços bélicos /
reminiscência de fato historial /
talhado no pó da armadura do cavaleiro templário medievo /
ainda em pé depois da vasta história e batalhas /
escritas com o sangue no fio da espada /
do monge e guerreiro na cruzada santa /
senhor da guerra do deus Marte /
e da paz do Jesus Cristo clerical medieval /

Cavalgando entre as ruínas da solidão /
ao ruído estridente(?) do motor Otto /
( lá vai o douto Valentino Rossi!) /
longe latitudes e longitudes das pradarias verdejantes /
mas dentro da minha alma na campina /
onde gorjeia o galo-da-campina ( Paroaria dominicana ) /
tribo de ave passariforme cuja família é a Fringilliidae /
na verdade é uma clade da família Passeridae ) /
fico eu cismando e cavando na flor do imaginário /
um espaço amarelo outro azul /
consoante faz a flor com suas pás com substância tiradas ao espectro da luz /
que desce lá do vôo peregrino da arara azul /
para a floração que cultiva o anil sobre o espaço incolor /
assim como fazem as flores com um ancinho /
pás e picaretas da matéria ondulatória da luz /
com as quais cavocam um espaço amarelo ou azul trombeta /
um pouco acima do solo /
cavado em anil meio-pedaço de céu /
ou o amarelo tomado às tintas das borboletas /
adejando na parte do espaço incolor /
movidas pelo tempo /
que não passa de um pedaço ou favo do espaço /
que ganhou energia com um movimento /
um moto remoto ignoto /
da equação algébrica descrevendo o primeiro motor /
ou primeiro movimento /
com motivo em flor anil /
ou amarelo primaveril /
cavando o espaço branco com duas pás do arco-íris /
iris dos olhos adentro /
ladeados no espaço branco do olho /
que cava a cor amarela e anil /
e o movimento no espaço em deslocamento /
que os algebristas chamam tempo ou função na equação literal /

Em solitude no cosmos imenso /
aberto em céus e espaço sideral /
fico assustado quando vejo /
um fantasma entrar /
ou passar rápido pelos meus olhos errantes na esteira de poeira da luz /
( seria um avantesma ou outro ego /
do outro lado deste mundo em que estou /
cravado como pedra no meu ego /
ou o que quer que seja minha subjectividade /
se a há de fato ) /

Sozinho no universo /
olho estrelas esparsas na noite /
e a estrela do dia /
no amarelo do sol em lápis de cor de Juan Miró /
( ai! que me lembro da infância das crianças que amei /
amor hoje assentado no pó do tempo /
que passou na velocidade do motor em equação de calor /
se não fosse o bebê que levo ao colo /
para o amor levantar do pó /
alegrar as ervas floridas no âmago do espaço amarelo ou anil da flor /
que colheu um pouco do céu e da mariposa ) /
ou quiçá de Wassyli Kandinsky /
da santa terra negra da Rússia de floresta negra /
bosque de bétulas /
tundras e mujiques cossacos /
homens do barro da terra de Chagall /
senhor e rei da aldeia russa /

Só na terra /
sei que sou monge /
poeta médico sábio erudito cientista músico artista /
guerreiro empresário imperador romano /
filósofo sou eu /
e mais ninguém /
pois não tem ninguém /
senão fora de mim /
e de quem eu preciso cuidar /
amar profundamente /
para que a ponte da alteridade /
seja construída /
em lugar do que era esquizofrenia /
autismo e psicopatia /
paranóia com megalomania /

Mas sou Robinson Crusoe na ilha /
- insulado no corpo /
e na minha mente /
capaz de absorver o infinito /
e o tempo pelo conceito-esperança da eternidade /
bem como o todo mergulhar no nada /
um mergulhão algo ao modo do Martim-pescador ou dos atobás brancos /
porém incapaz de singrar os sete mares de solidão /
que não acham porto seguro sequer na solitude /
nem tampouco na alteridade /
que se esforça com todo o amor /
com a paixão que toma o ar /
com odores corporais de fêmeas florais /
( imaginai as vaginais!) /

Em solitude no mundo /
somos Robinson Crusoe /
frente às gigantescas instituições /
as megalíticas fundações /
com a mole do edifício voltado contra o ser do homem /
escrito nos hieróglifos da solidão da pedra brutal /
ignorando o homem /
assim como o fazem as leis e estatutos das fundações /
associações, sociedades e outros monstros /
do novo eterno mito /
que põe as instituições como titãs heróicas /
e o indivíduo como uma pobre formiga ou barata-Kafka /
a ser esmagada sem piedade /
sob os pés do colosso de Rhodes /

Sou Robinson crusoé insulado da ilha sul /
usurpado do poder sobre mim /
conquanto jogado na solitude /
duma masmorra de leis na torre do castelo /
com a máscara de ferro pesando sobre o rosto /
grilhões nas mãos e pés /
na umidade do ergástulo /
ou na cela do monge medievo /
arrostando sozinho contra e a favor de todas as regras /
da ordem dos monges negros /
os temíveis beneditinos da Inquisição espanhola /
de triste memória /
com enclave entre terras de lenda negra /
- terra na madeira dos navios-piratas /
bandeira negra da caveira a celebrar a morte alheia /
( a morte sempr é alheia /
algo alienado do ser vivo /
olhando par ao que irá animar a caveira desenhada na bandeira /
tremulando ao vento que sopra seu espírito de ar /
da boca de Deus a encher os pulmões /
- as duas árvores da vida plantadas no corpo humano /
separados pelo coração ) /

Sou Robinson Crusoéumidade /
porque somente sinto o mundo como sinto /
tenho a inteligência do mundo como eu sou /
e sendo faço o ser /
- ser o que eu sou e vejo e faço /
( o ser é meu pensamento e percepções misturados /
na união do sentimento e razão /
Sou um monge medievo longe arrastado do tempo /
por um motor alocado no espaço /
( motor que é o próprio tempo /
sendo o tempo nada mais que uma parte do espaço /
que se movimenta e movendo-se vira tempo /
ou se desdobra na palavra tempo /
que o acolhe em conceito /
esse novo fato natural ) /

terça-feira, 14 de junho de 2011

ETERNIDADE ( wikcionario wik dicionario wiki etimologia otto )

O tempo do homem
não é tempo natural
motor de mutação em natureza sempre-viva
em flora e abelha
no arroio de mel
depositados nas colméias
quando o sol embarca nas águas da ribeira
um brigue de mel
suscitado do embate da luz
com a água na corredeira
levando a canoa junto ao levante
ou à tarde tardia
ao olvido do lusco-fusco
que vinca a lâmina d'água
com as mãos de aragem sutil
a esculpir um Narciso em decrepitude
infenso ao suicídio passional

O tempo do homem
é algo que está enredado no retrato
nas redes que o retrato capta
num instante de luz e trevas
- luz vincando trevas
por todos os lados
pois tudo é quase treva
negro cavaleiro e penas de anum
madrugada fora
- calada madrugada!
onde não se escuta um filete de voz de galo...
nem o ruído do lápis a riscar o orvalho
( "Risque-risque" é a onomatopéia
na ponta do grafite do lápis riscando
no empuxo da mão imprimindo os contornos
também para nanquim
da China do mandarim )

O tempo do homem é algo que não está no tempo!
mas em algumas invenções do homem
as quais retratam a época
arquitecta uma era na catedral medieval
ou na teologia medieval
tão abstrusa e refinada
eivada de anfibologias
batendo o martelo para as bruxas
a se imiscuir com Íncubos e Súcubos
a fim de dar uma razão plausível
aos processos da inquisição espanhola
a inventar hereges
e perpetrar torturas heréticas e abomináveis...
- e toda a adjetivação para o anelo do homem
de destruir outros seres humanos
e aplacar sua demência atávica
sua megalomania renitente
que a cada tempo assoma
com uma renovada face maquiavélica
( Esse o único diabo de fato
que se imiscui nas leis
depois de engendrar no homem e na mulher
um descendente Íncubo e outro Súcubo
com o desiderato de procriar uma dinastia
longânime no tempo fotografado
onde a fotografia afia o olho do demônio zombeteiro
a olhar do fundo do sarcasmo
para o legado da miséria
que é o ser humano
enredada na luz para fenecer
drasticamente enfronhar-se na trama social-cultural
deixar-se levar pela ilusão edulcorante
que essa comédia põe em afresco de Giotto, Fra Angelico...
e por fim ser objecto de tragédia grega
com a morte o fantasma e a caveira em Hamlet
obra da esquizofrenia funda de Shakespeare
bardo de triste sina
como todos nós nos responsos do sino
a repicar para anunciar a presença do anjo da morte
- cuja presença é incontinenti
porquanto está no substrato da matéria e da energia
no corpo em mutação
e na alma sem salvação escatológica
Não há salvação na escatologia )

O homem é de um tempo....
que extrapola o tempo
em todas as Eras geológicas
Vive revestido pela túnica de um tempo
em que o retrato desenhou a luz
sobre as trevas com fuzis "incoerentes"
na grande noite no espaço sem luz
ou sem luciferação de pirilampo
de vagalume errabundo
em noite de trevas para lobos e gotas de chuva
a dedilhar o piano do rocio
que cai madrugada a fio
alimentada no pavio
da vela que molha o quarto de luz
aonde vão as mariposas
depois do vôo de piloto
sobre o deserto noturno
com dunas em azeviche pintadas
ou no piche da madrugada
que sobeja na voz do galo
cândido cantor de Voltaire

O tempo do homem está no retrato
que mostra as teias do tempo
nas invenções de época
na mobília ou no vestuário
no pensamento ou no modo de agir e amar
nos filmes e nos cantos...
nos amores que erraram
por vinhedos a vagar no lagar

O tempo do ser humano
prescreve todos os retratos
que estão dentro do retrato
e contam com luz e trevas
a história do homem
sob o mastro e a mesena
nas caravelas e no dilúvio
na catedral gótica
na fotografia do automóvel antigo
envolto no amplexo de enamorados
de outras décadas
escritas pela cor no retrato
e no papel que captou o instantâneo do amor
incomensurável nas vestes de época
no penteado dela
nos brincos e outras jóias
na pose da enamorada da vida
e no sorriso de então
que era outro sorriso
a fundar outro tempo
e outra paixão no tempo
que nunca se esvai ou exaure
nos adereços da mulher
ou da criança que veio ao lume
e tomou todo o espaço temporal
ajuntando o pó do tempo
na teia de aranha do seu corpo franzino
perenemente amado
mesmo quando os olhos
mexem a miscelânea de outro tempo
no aglomerado estelar das Plêiades
- As Plêiades : Objeto Messier 45

O retrato pálido, lívido, "levedado"
mascarado de tempo
estagnado na poça de luz e da matéria escura que o segura
baila no "carnaval do arlequim" de priscas eras
moldando no pó de suas histórias submersas sob camadas de várias histórias
verdadeiras arqueologias do conhecimento e do saber
que Michel Foucault tanto queria desvelar...
mas enlouqueceu antes do dilúculo!...
e ficou no retrato do homem
na imobilidade pétrea
do último tempo à luz
- no derradeiro debuxo de luz
torrente de mel para geometria de alma
sempre penada em noite de anum
com suas penas pesadas de trevas
segundo o Livro dos Mortos egípcios
de onde nos olha uma felicidade lúdica
no olho da criança querida
e nos envolvem o cálido amplexo da mulher amada
no tempo do amor
que a fotografia registrou
e jamais pode olvidar
à luz solar
num solar com solo para andorinhas pardas
caindo na tarde
com abóbada escarlate a refulgir gloriosa
demonstrando que a vida fica
ainda que seja num retrato
encalhado nas águas correntes ou lacustres do tempo
- do tempo no retrato!
que é toda a eternidade dada ao homem
ainda que em tatibitate...

segunda-feira, 13 de junho de 2011

BANJO ( wikcionario wik dicionario wiki etimologia otto )

Agua entra por um paul /
e sai por outro paul /
- água em paul /
é saracura ou jacaré /
( jacaré é água /
saracura émenos água /
mas aquática é ) /
ou ave do pantanal mato grossense /
- imenso e esparramado tuiuiui /
voando pelos céus esgarçados /
ou deitado no ato de serpentear /
por entre terras de todo modo /
- modo de rocha ou barranco /
ou ervas no caminho /
a caminho do tronco do ipê roxo /
ou das lianas que trepam feito serpentes /
nas muralhas extensas /

Água ronda e rói moinho /
rui moenda /
move moinho /
motiva moleiros /
movimenta-se e se arrasta no cipó e no vento /
- no vento do moinho /
no vento em popa /
a bombordo ou estibordo /
barlavento ou sotavento /
na palmeira que balança o vento /
em suas palmas verdejantes /
de brilho verde de sol /
e não verde de buritis /

Água sopra moinhos /
- moinhos de vento /
de vento em popa /
ou aproando para a tamareira /
o coqueiro dançante /
- louco dançarino em frenesi /
enlouquecido pelo vento ensandecido! /
( Água é um paul em inércia /
até a primeira força centrípeta /
ronronar no motor de popa /
motor de proa /
a aproar para a ilha /
insulada no arquipélago de Galápagos ) /

O sol puxa a água para cima /
leva-a ao cimo /
até a nuvem /
Oh! nefelibata! /

Nefelibata água /
que pisa nas nuvens /
anda e desanda nas nuvens /
"vive" nas nuvens /
com pés descalços /
da carmelita descalça /
Santa Terezinha do Menino Jesus /
com pés enxutos! /
e desce num aguaceiro /
pela perna da água pernalta /
da ave pernalta que levanta vôo /
- a pernalta ave /
denominada saracura /
a saracura do brejo /
amante da lagoa /
em perene solitude no paul /
deusa do paul /
eremita de paul /
descalça no paul /
não carmelita /
mas ser mais livre /
que o vento quanto bate na palma da palmeira /
ou no moinho de vento /
que sabe a Van Gogh /
e sabe a Monet ) /

A água sai por baixo /
escapa da mão /
entra na erva /
- erva adentro vai /
é seu destino /
dentre outros destinos /
a caminhar no mel /
no anel do mel /
em gotas milimétricas /
escorrendo pelo abdômen da abelha /
( Arrostando o destino das águas /
a me mover por dentro e por fora /
vou sabedor de que talvez ninguém me espere /
no marco zero em que a lua deixou o palor /
do luar em noite de dama-da-noite /
espargindo fragrância /
junto aos jasmins ou bogaris ... /
no candor do alvor /
de barra da alva /
flor de laranjeira em aleia /
alameda leda /
e estrela da manhã inteira /
- estrela do orvalho /
sentenciado madrugada fora /
até galo na aurora ) /

Água que entra pelo pé da erva /
ou voa no ar /
flutua /
flui /
fluente no afluente /
no riacho que acho ancho /
na uva que dá em cacho /
na umidade do cacho /
e nos cachos encaracolados da cachoeira /
- nos cachos espumantes da cachoeira /
rolante cachoeira na torrente /
tonante tonitruante e sempre avante! /
a se esgueirar entre pedras /
- entre as pedras cinzas /
ou acinzentadas pelo lamber da tinta das águas passadas /
nas línguas das águas pretéritas /
- águas que movem moinhos /
na água e no vento /
moinhos de água e vento /
e seus pássaros moleiros /
mandriões impávidos na procela /
que arranca o mar do fundamento /
e despedaça o brigue à deriva /
na vela branca pintalgando a paz /
- a paz branca de medo /
indo para o fundo do mar /
soçobrado o brigue /
em "Pax romana" /
a pior paz /
- paz com pá de cal na cova rasa /
do soldado vivo!!! /

Água entra no líquido /
invade o espaço gasoso /
evola no ar /
navega no mar /
se fecha no gelo hermético /
na mais sólida geleira /
desce na escada branca da geada /
a passo branco e brando de neve /
e gira em ciclo /
- o completo ciclo da água /
que toma todos os estados /
como se fosse um general do Império Romano em campanha /
a conquistar a Terra /
e com a águia tomar o céu /
que água corre em corpo de águia /
e da harpia que pia pequenina /
com o bico aberto no ninho /

Água tem estado por aí e aqui /
no estado do czar /
santa Rússia de estepes e tundras /
mujiques e cossacos /
Outrossim no estado sólido do "iceberg" /
entre o calor que a derrete /
ou ferve-a até que evole pelos caminhos espiralados no ar /
e o frio que torna sólido o seu estado /
dos gases que sopram o espírito na letra do homem /
quais anjos nobres a soprar trombetas /
anunciando o rei e a parusia /

Água a rumorejar na fonte rumorejante /
que rumoreja morro abaixo /
descendo o monte em cascatas saltitantes /
à moda das cabras montesas /
a nadar no peixe... /
a envolver o peixe /
por dentro e por fora /
nos dois mundos do peixe : /
o mundo de água por fora /
e o mundo de água por dentro /
pois o peixe nada dentro da água /
mas a água nada dentro do peixe /
e também salta o que salta o peixe /
salta junto ao peixe /
dourado ao sol no anzol /
- do peixe que nada é /
e não nada mais na piscina /
se não tem a água /
que lhe nada por dentro /
e a água em que ele nada fora /
água tônica /
( água-túnica! para deleite d'alma /
refrigério e regozijo do espírito do vinho) /

água da vida em abundância /
porquanto sem água /
o peixe volta ao nada /
nada para o nada célere /
pois a água o conserva em vida /
destila a alma do arroio ao rocio /
é fonte de toda vida /
vida abundante /
em abundância pedra afora /
- fluir de que fala Jesus Cristo /
e com que batiza João, o Batista /
profeta de alto coturno /
Outrossim a água é "insetivante" para insetos avante na chuva /
a qual enceta o espetáculo do saltimbanco Moisés bíblico /
o prestidigitador Moisés /
ser anfíbio nos girinos e demais anuros /
porquanto sem água girando no girino adentro o corpo pára /
fora e dentro /
- pára e queda!!! /
sem pára-queda /
no serafim que se apaga /
não mais lucifera nos pirilampos noctívagos /
e cai em queda de anjo e arcanjo retinto /
para o qual arranjo é banjo /
ou banho com imersão na torrente batismal do Jordão de João /
( a água só é pára-queda na chuva ) /
mesmo porque a água que resta /
em corpo de cadáver /
está quase seca e estagnada /
apenas cumprindo a função de chamar a vida /
que então atende com batalhões /
de vermes, fungos e bactérias devoradoras de tecidos mortos /
na invasão das legiões romanas naturais /
a atacar corpos mortos /
e o peixe sem água é peixe sem vida /
ou peixe sem alma /
se fosse cristão /
como o símbolo /
mas e pagão como o latim do romano /
no tempo em que o império era romano /
e Roma o mundo em latim e legião /
duas falanges hostis aos bárbaros /
( Sem água o peixe pagão volta ao nada /
- nada no nada /
retorna ao símbolo cristão do peixe /
na parábola do milagre dos peixes /
porque sem água o corpo perece /
falece, ocorre a falência dos órgãos /
uma vez que a água restante /
vai para a secante /
da vida tangente /
nos senos e co-senos da desidratação /
em trigonometria sem oração /
que matéria viva /
é torrente de água viva /
corrente na cachoeira /
e dentro das guelras do peixe em nado /
que vivo está em pleno exercício do nado /
e morto do nada/
sem alma para animar /
- o animal da água /

Todavia todos somos peixes : /
peixes de barro /
do barro de Manoel de Barros /
Manuel Bandeira /
do João-de-Barro /
ave passariforme /
( a água vive no "peixe" do João-de-barro /
no ser písceo que nada dentro do João-de-barro /
pássaro com água /
- que pássaro com água é ave viva /
e ave viva é água viva! ) /
outrossim Adélia Prado /
( sonho de prado seria flor?! /
sob luar no orvalho a cantar /
o gotejar da noite escura /
no escuro impuro ) /
e também Ledo Ivo /
ledo na madrugada de rocio cantante e silente /
antípoda de antípoda /
antífona de antífona /
assim como sou e o foi minha avó /
enquanto em natação por dentro e por fora /
- nadadora ou peixe dentro de si /
e fora de si! /
ó bem-ti-vi-do-brejo /
inexistente na ornitologia! /
dos ornitilologistas sem pássaros /
empós o dilúculo /
em réstia de luz /
- pano ou tecido amarelo de luz /
que aponta antes da manhã tecelã /
tecer toda a túnica inconsútil do dia ) /


Água é matéria plástica /
quase imaterial ou anti-matéria /
Artista plástica /
- mais plástica que Joan Miró ou Paul Klee /
Michelângelo Buonarotti ou Rodin /
Rainer Maria Rilke ou Kafka /
- mais plástica que o plástico /
o plástico sintetizado pelo humano inumano /
produzido pela indústria do homem /
industrioso ser /
cuja indústria produz um silêncio de pedra /
originário de um reino geológico /
que era em Eras /
de um passado enorme /
quase enterrado no eterno /
ou nas geleiras das Eras Glaciais /

Água é inteligente /
inteligência nata inata /
ou inteligência em ato /
nata da inteligência /
nata da inteligência /
inteligência da vida /
viva inteligência /
( ou seria fato /
agora que escrevo /
e quando a água escreve na areia /
e na rocha e nos corpos por dentro /
abrindo o livros dos genes /
o livro do Gênesis de dentro?!/
Ou seria fato /
algo posterior ao ato /
ato passado /
que não é mais ato /
mas sim fato /
pois ato é presente /
presença no ato /
do teatro da vida /
quando a escrevo /
ponha-a em história /
ponho água na história /
nesta versificada história da água?!) /

Água que é água /
sabe tudo de geometrias /
álgebras e matemáticas /
aritméticas e algoritmos /
arabescos e motivos florais /
axiomas e escólios /
corolários e razão suficiente /
ser e tempo e espaço /
e ritmos mosaicos em Mozart /
- Mozarts e mosaicos ritmos /
logaritmos costurando leis mosaicas /

Água mensura terra /
denuncia ondulações na terra e na água /
anuncia ou enuncia vento /
sopro de vento angélico /
( antes gélido que angélico!/
para ser bem cínico filósofo /
apos o cinismo virar cristianismo /
e depois Direito romano /
que é todo o Direito /
que sobrou para os povos /
- míseros povos! ) /
´´agua demonstra a gravidade /
e a escrita do relógio do sol em raios /
a mão do sol com calor /
tecendo a história da vida /
e da arte que o sol fez passar por cada reentrância do solo /
nos desvãos que ficam em ângulos /
cavados no chão /
em senos e co-senos /
nos buracos que desnivelam o chão /
que esteja calçado por cerâmica /
ou por cimento grosso /
a grosso modo posto /

Água, agua, água...: /
- água de dar sede ao pote! /
ao pote de barro de minha avó "mariinha'"/
de um minúsculo "m" no apelido /
mas um "m" que ponho no lugar do "n" de álgebra /
- de hábito de álgebra e arabesco de pura beleza /
no coração árabe que estava escrito no Corão /
- no coração da minha avó /
mulher da mais doce safra /
outrossim escrita estava ela /
na sura ' As Mulheres" /
do magnífico Alcorão /
livro santo do profeta /
escrito de oitiva /
- ouvindo a voz do anjo de Alá! /