domingo, 25 de dezembro de 2011

AZO)wikcionario wiki wik dicionario etimologico enciclopedico aurelio hoauis)

Passando por um renque de árvores
com pássaros cantantes
logo acima do cananeu
que não era eu
senti vontade de ficar ali
parar ali
para sempre
se a locução adverbial "para sempre"
existisse
fosse fato
e não ato pensante-pensado
e, concomitantemente, estivesse
fora do vocábulo
porquanto a existência está por fora
do outro lado da alma
espelhada em Alice
jogada e perdida no mundo
para onde foge o ser
na alienação do homem
enquanto a essência vai por dentro
roendo a vida com radicais livres
corroídos por anti-oxidantes

Quedar ali embaixo da ramagem
sentado no Buda
que sou
- que somos todos os indivíduos... :
Louco de pedra-pome,
doido varrido,
sentado em lótus
sob a alêia aléia alameda
álamo bulevar ambulacro...,
ó Manuel Bandeira!...
- senhor de tantas andorinhas!
mas que não obstante
tanta andorinha e tanto tamanduá-bandeira
não me ouve mais
porque extinto está
debaixo das ervas daninhas
sob pedra tumular
solo sobre o qual outrossim
não mais palmilha Drummond
pelo caminho da pedra
em meio ao caminho do pé
calcado no sapato torto
( o sapato velho é um torto anjo
que dá azo ao azar
e a bazar de quinquilharias )
Ambos os poetas
hoje são
o que não não são
nem tampouco estão sãos
nem são em São Petersburgo
nem ser nem santos
nem corre processo canônico
conquanto já jazem
em jazigos estão
abaixo da pedra do burgo
da pedra de Pedro
da pedra São Pedro
e da pedra que havia
a meio caminho do sapato
florido em Mário Quintana
escrito na carta de Caminha
a caminho das especiarias
e da pedra que é
o seu corpo desfeito
decomposto
na cal do osso
com o resto da alma
no sopro restante
presa nos ossos
entre ossos encerrada
sonhando com um soprador
um tocador de tuba
que a expire dessa flauta
na dança dos signos no ar
escritos em parábolas senoidais
bailarinas-musas no vento
Todavia tudo
o que descrevi
foi só um momento
que ficou engasgado no tempo
em pedra de descaminho
- para caminhar descalço
carmelita
sobre elas a caminho
para a planície do Esdrelão
- um instante de apedrejamento íntimo
( ou de liberdade cínica
- Total?!
Total só no ideal
no real não )

Foi num tempo para semear
tempo no semeador
que fiquei ali plantado
sob chuva
junto à aleia e as ervas
à sombra da alameda
doido de jogar pedra
- pedra a caminho
de Eras geológicas
profetizada em geóglifos

domingo, 11 de dezembro de 2011

CEGONHAS (wikcionario wiki wik wikidicionario wikipedia wikisource)

Poetas olham para bar
enamoram-se do bar
flertam com bar
mergulhado à sombra das telhas
quando a tarde vai navegando do zênite
ao nadir
- que começa a nadar
no rio negro das trevas
vendadas nos trevos cegos-cegonhas
que aplainam os caminhos
de Pero Vaz de Caminha
em carta às ervas-hortelãs do rei
de Portugal e Algarve

Poetas são bêbados contumazes
Adentram recinto de bar
sóbrios-sombrios
com sombreiros
e saem sobranceiros

Erram de bar em bar
a ouvir o bar-bar dos bárbaros

Quando não estão embriagados
inebriados com a vida
soluçam na escrita
de versos
vivem de versos
por versos
em versos
põe o que não é poesia
mas escrita hieroglífica-geoglífica-alfabética
da poesia surda-muda....
( Esta é uma maneira odiosa
de não viver de fato
mas sobreviver por procuração
ou teatralmente
no bufão-truão-histrião
que encarna
ou representa por escrito
na tragédia de escrever poesia
- que embora não seja um morrer
é um não-viver
uma sobrevida em andrajos
( O poeta quando escreve
já não bebe
já não fuma
- já não vive!
Apenas lembra do ébrio que foi
na infância ou juventude
maturidade ou velhice
Faz da poesia escrita
um lembrete de vida
- exercício mnemônico )

Toda minha poesia
é ilegível
e não está escrita
em antologia
ou ontologia
- A poesia prescinde do escriba

domingo, 4 de dezembro de 2011

NAZCA (wikcionario wiki wik dicionario terminologia terminologico )


O conceito de negócio jurídico desenha geometricamente ( todo desenho desde Euclides é geométrico, mensura e contém formas ideias de figuras delineadas com "lápis" sobre o perímetro dos corpos figurados, sendo a geometria abstracção do conteúdo e concretização da forma : ideia desenhada, concebida sem pecado, no jargão da Igreja, a "Mater e Magister" do indivíduo ocidental em assembleia : comunidade ) um ato, que, após desenhado (tomado em corpo hipotético : hipótese, sob a abstração dos signos da língua-escrita ou cantada em coro na tragédia comunitária com seus atores-personagens ou hipócritas, que somos todos em sociedade, porquanto o viver social é um conviviver que exige personagens rígidas, desumanizadas, varadas pela imaginação da baixa literatura de Agatha Christie e Conan Doyle e não da alta literatura de Dostoievski, Tolstoi, Dickens, Machado de Assis ) se põe no mundo enquanto fato consumado.Fato é sempre a consumação de ato ou atos enlaçados, trançados no vime, encadeados .
O negócio jurídico, aparadas as filigranas dos doutos, é um negócio como outro qualquer, apenas amparado ou estribado em lei, ou que se passa sob a forma prescrita em lei. Ritos do contato e do testamento.
Todo testamento é m negócio jurídico, inclusive o Velho e o Novo Testamento bíblico, que nos remete e destina a um legado e a uma herança social e, ao mesmo tempo, é um contato social da lavra de Rousseau e da exegese de Hobbes, no "Leviatã". Enfim, um pacto, o tal contrato genérico, que se presume universal, porquanto direito é mais presunção que realidade "cognoscitiva" ; se não for muita presunção, total presunção! E nada mais que isso, fora do rito imprimido pelo princípio da razão suficiente, que presunção bastante para se pensar e fazer de tudo com o outo, desde que esteja dentro do âmbito da lei, a nova deusa e tirana, o novo despotismo, que é novo somente na aparência .Porém antes da lei emergir, vem o costume, onde se funda, onde tem pé a legislação vigente e revogada, essas deusas e senhoras das gentes e dos indivíduos. Nossas Senhoras dos Pavores dos pobres e oprimidos, protetoras do ricos e poderosos! .
Lei não fundeada em costume é lei sem âncora, ideal romântico; contudo, tal romantismo traz no bojo algo de malícia ou até maldade ( perversidade social ) e candidez angelical , ou candidez na mensagem.Aliás, "a mensagem é o meio " e o anjo ( a lei é um,a mensagem, antes de tudo : carreia dois fardos, para dizer do corpo ou alma dicotômica do pensamento que aflora na comunicação da realidade-idealidade, na qual vive o homem em corpo, alma (sem alma ou vida soprada no oboé das narinas pelo anjo torto do vento em curvas sibilinas-sibiladas, em silvos de serpente na selva ou savana africana) e espírito (sopro hebraico, da língua hebraica na boca do hebreu).
O homem, enquanto indivíduo pobre e submetido, vive sob o que "vige" a lei, que é a expressão da vontade dos que detém o poder político, que é econômico, científico, jurídico : são todos os poderes de fato e de direito, conquanto não de direito puro, ideal, enquanto ideia não alienada no mundo dos donos da sociedade e suas pertenças, dentre as quais o direito é uma, as obras de arte outras tantas e assim as fêmeas e os direitos conquistados sob o gume da espada do direito, que se passa a chamar justiça quando alguns homens remunerados com soldos ou vencimentos de magistrados representam o povo rico, contra o povo pobre e miserável, que sobra em votos nas urnas e nos esgotos, junto aos ratos e ratazanas.
A sociedade sempre foi assim : campo de ignomínia. Leia o Velho Testamento!, sem olhos de ovelha ou pastor ou doutor : com olhos de homem e mulher livres, não alienados pela quantidade de dinheiro ou cargos e encargos sociais que pesam sobre as espáduas.
E se se fala em negócio jurídico é porque há negócios escusos, que turbam as águas claras do direito dos justos e lançam âncora no mercado negro, o qual explora a parte sombria do direito : o direito negro, que faz a sombra do mercado negro, onde sobrevive a grande maioria, mormente nos países de altos índices de pobreza e desigualdade sócio-econômico, ou seja, de injustiça.Onde a injustiça grassa, é uma peste endêmica-epidêmica.
A injustiça é a falência, não ideal, mas real, concreta, não da justiça, que "existe" apenas enquanto concepção pura, ideal, mas do ordenamento jurídico como um todo coordenado , que, assim posto e executado, cuspido e regurgitado, cobre todo o território da nação, estado ou pais , distorce o real em ideal, colocando leis belas, que são pura poesia ou odes aos direitos humanos, quando deveria ser prática e práxis social, não o ideal "nobre" e humanitário, mas a realidade nua e crua.
O mercado negro faz o direito negro e movimenta a injustiça, a qual constrói a sociedade, é a práxis social, que contraria o pensamento ideal do iluminista tardio : Marx. O mercado negro e o direito negro polariza a maniquéia que, destarte, movimenta o direito, através do morto em paradoxo.
A justiça e injustiça, o positivo e o negativo, o macho e fêmea são maniquéias que movem o corpo social e o corpo natural em função matemática-maniquéia infinita, no símbolo, que é o único infinito e o único nada, pois apenas é, mentalmente, e não existencial. O ser é mental, mas nem sempre é ente ou coisa na existência, fora da essência da mente geometrizante.
A doutrina do maniqueísmo, dual, não se exprime somente na tensão entre o bem e o mal, mas extravasa essas polaridades e cria outras polarizações. O maniqueísmo é a doutrina do conhecimento, fundada na inteligência do homem ou na leitura que o homem e o animal fazem da natureza. A sociedade e o indivíduo são efeitos da maniquéia, dessa inteligencia percebida em natureza e transformada pelo homem em conhecimento, o qual é uma parte ínfima da sabedoria ou do saber vigente na inteligencia do homem e do animal, fruto da natureza dada a todo ser humano, quer seja esse "humano" homem, animal, vegetal ou mineral.
Aliás, a sociedade funciona em maniquéia, é uma máquina maniqueísta, cujas polaridades se dá e se esgota nos choques que absorvem as individualidades, embates esses que levam aos contratos ou pactos ( sociais ), cuja função é regrar a luta, socializá-la, normalizá-la ou metamorfoseá-la nos esportes, que é um rito estritamente social, que cumpre função social, socializante, ainda quando o que exprime é, aparentemente, solilóquio, tácito, unilateral, tal qual as demais formas de socialização ; a saber :os dramas representados no teatro, nos tribunais, nas novelas, enfim, nas instituições sociais, no lar.

sábado, 3 de dezembro de 2011

ESFEROIDE (wikcionario wiki wik dicionario etimologia enciclopedia wikipedia )

Todo o direito é um negócio jurídico ou se desdobra nisso, nesses atos que levam a fatos. Todavia, essa lindeira idealidade com a realidade, a idealidade, não existe ( não está fora da ideia, nem sequer limite de fato com a realidade, mas apenas de "direito" : é mera presunção intelectual); está apenas em essência, no pensamento, na ideia, esfera do ideal, geometria pura, primeiro desenho da ideia enquanto conceito, concepção imaculada da realidade ( a realidade, a maculada realidade! : maculada pelo fenômeno, pelo processo fenomênica, que mancha a imagem e até entorta as linhas da geometria em curvas de Descartes-Einstein.
Essa idealidade, essa ideia platônica, guardada em relicário na esfera onírica, que é a esfera da geometria, sem curvas até Descartes em parábolas que consertam/concertam a recta, o seguimento de recta, que se curva à inteligencia de Descartes-Einstein e outros geômetras-filósofos não-euclidianos, não tão bons ("eu"!) geômetras para retas ideais, irreais, surreais em Dali e outros daqui e acolá..
Fora dela, da esfera onírica, na existência, que nunca é uma esfera ( perfeita! Não, mas sim imperfeito, por fazer, por realizar, na polaridade oposta do maniqueísmo do homem, desta doutrina que oriente o homem e o animal em natureza de bússola e estrela polar, não apolar, branca no pólo ); quando muito, ao invés de esfera, é um esferóide, formal e real, em forma e conteúdo, forma ditada pela substancia; enfim, um traço que demarca uma esferóide, que é a ideia pousada ou realizada, exprimida pela captação da realidade pelos sentidos, oriunda do fenômeno, que traz á baila o mundo natural. Fora disso, o direito é mera tensão ( tensão espaço-tempo ocasionada pelas várias espécies de polaridades : frio-calor, negativo-positivo, velho-novo, macho-fêmea, inércia-movimento... :as maniquéias que movem o universo e o pensamento do homem, mormente para a ciência e tecnologia ) : Tensão ou espaço tenso, intenso com a junção-tempo, que é a polaridade ideal do espaço (senso interno ao homem e animal ), oriunda do pensamento do homem e do animal que percebe com seu aparato inteligente ( seu senso espaço-tempo esticado e "estilingado" nos sentidos tensos), a qual, enquanto captação fenomênica, funciona consoante a vontade que fica entre a idealidade, no homem-geômetra, em curva de esfera perfeita ( circunferencia) e esferóide, ou seja, próxima ao desenho da ideia, que é o desenho geométrico ingênuo-euclidiano da circunferencia : uma inexistência.A circunferencia é uma essência do homem, posta em geometria, pleo homem geométrico, mas não uma existência, não uma tensão no mundo : uma tensão no homem, um dos pólos da maniquéia. O homem e o animal é um dos pólos da maniquéia, que no homem é doutrina, ou enriquecida com doutrina; no animal é senso prático.
A concepção de perfeição, que está no direito e em toda parte, está contextualizada em Aristóteles, ou pode ser contextualizada lendo o filósofo, porquanto é uma concepção dada pelo estagirita ao abordar a circunferencia, que é o " em torno"(per) feito: a circunferencia é um em torno, um anel, que , em natureza, fora do espaço geométrico, se anela esferóide, próxima à idealização da esfera na circunferencia. Este conceito de perfeição nem é uma ideia, mas uma mera descrição da circunferencia, ou seja, um conceito "concebido" na geometria, que é uma língua-linguagem destinada ao simbólico puro, ao espaço-tempo não fenomênico, mas meramente conceptual, intelectual; um puro pensar ou aprimorar o pensar.
A circunferencia dá uma ideia da ideia, da ideia platônica, bem como todas as figuras geométricas. Figuras que se iniciam e finalizam em si mesmo, criando ou abrindo um espaço ou buraco ( negro) e brusco de espaço no espaço, esquecendo ou eliminando o tempo e o mundo real das coisas observadas através da fenomenologia. São paradigmas da abstração ou da capacidade do homem de abstrair através de conceitos desenhados, figurados, ou escritos, em símbolos ou signos. Signos que algumas vezes são símbolos e símbolos que são signos, conforme a escrita hieroglífica ou alfabética.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

MACACO - NAZCA ( wikcionario wiki wik dicionario enciclopedico filosofico cientifico hoauis )

Olhos desmancham casas
Olhos do passado desmancham casas
- olhos passados
sem olheiras
sem olho para olhar
solapada as pestanas
não mais sobranceiros sob as sobranceiras
ou ansiosos para iniciar ato
de olhar os lírios
onde vingar essa flor-de-lis
lírica mas sem lira
desmantelam casas
imóveis na água da loucura
( água de paul pútrido
parada na lagoa )
inanimadas casas
sem alma de habitante vivo
com a alma em desgraça
aos trapos farrapos
de seu morador solitário
em permanente solitude e abandono
minado pela demência precoce
Olhos demolem casas
- olhos que demoram em casas
demolem com o olhar
essas casas de paredes escassas
quase sem massa
com reboco caindo pelas tabelas
as janelas com olhar perdido
- o olhar derriba
( Casas são filósofas cegas
- Filostrato durante o mecenato
de Septímio Severo
de origem berbere-púnica
pai de Caracala
imperador de velha Roma
cujo busto em alabastro
está em museus capitolinos
- um sofista na obscuridade de Sofia
cerzindo sobre o tecido vivo
das vidas dos sofistas
no livro "As vidas dos Sofistas"
o tecido morto de história
porque todo livro é uma mortalha
em companhia de máscara mortuária
enfim : um "Livro dos Mortos"
para os vivos
exercerem o poder
de ressuscitar o passado
com a vara de condão no verbo
do "Bruxo do Cosme Velho" )

A água nos olhos d'água
vão erodindo casas
Olhos derrubam casas
deitam-nas ao chão
deixam-nas sem o sustento do olhar
abandonam-nas sem pó de ananás
nem guarda-pó
sem substancialidade alguma
- insubstante
sem substrato
não obstante a essência
formada pelo plantio
da idéia em terra mental
do Platão inteiriço
não na forma do ouriço
porém sim na do homem
pois nada no homem
nada mais que a idéia platônica
desenhada em espaço opaco-fusiforme
dos peixes dipnóicos ou não
no cardume das sardinhas
e há lampreias mixinas dugongo
enguias garoupas moréias...
- tambaqui aqui
carpa lá
( Arcanjos demolidos
imolados
são casas
santas casas
velhas casas
velhas e casas
que se "moraram" reciprocamente :
A casa dentro da velha
e a velha senhora dentro da casa
E se enamoraram
também reciprocamente
que o amor é um reciprocar
florir cá e florescer lá ( lá lá la'...)
Entretanto nem pó deixaram
para pisar o rastro
do sapato
do filha da filha do neto da neta do tataraneto...
das gerações que vão
calçando a paixão
no coração
que se faz de si
gato-sapato )

Olhar para o passado destrói casas
quando no verbo
quando o ato
é ato fictício de verbo
está no logos ou lógica
ou logosolfejo
pois este olhar verbal
sem olhos que vejam
sem fotografia à luz da luz
acha uma casa
que já nem é casca de casa
está no pó
do anjo caído
decaído nos escombros
se anda há os escombros
nos ombros do estivador
visto em noite
sem luz alguma
pura treva
Evoco a casa de um Tassiano vereador
( o Tassiano vereador
em casa "quase" contígua
não fosse o movimento da língua
na escrita ainda em mão parada
presa à concepção platônica
que desce à acepção
por mãos postas de modo patético
acatando com humildade
a definição do significado
não lido ou escrito
no significante do vocábulo "contíguo"
que pode estar em acordo contigo
mas não comigo
nem em Celta de Vigo)
- habitação olhada na esquina
vista na esquina
até esboroar-se
em casa do não-vereador
do não-Tassiano
em não-casa
para fora do verbo
em implosão-explosão
sem feixe de gás metano
que se alinhe ao rés-do-chão
e redefina no fino traço do desenho
- o redesenho geométrico do motor Otto
- do engenheiro que leu em natureza
o ciclo Otto
e entendeu projetou e construiu
o motor a combustão
observando o peso do gás deitado
ao rés-ou-ao-rás-do-chão )
A demolida casa do homem morto
ao ser comprada-vendida
( que a alienação é troca mútua
aliada alheada do escambo )
é casa no passado
casa-caso no paço-passo passado
do verbo em sandálias pesca-atum-esturjão-anchovas-...
casa-e-caso no pretérito
caso-casa ou caso-que-era-casa-e-virou-caso
na casuística-mais-que sofística
casa-e-caso-por-acaso-decaídos-em-casuísmo
jurídico-sempre-jurídico
e no passo do passado de sapato
em passo de sapato no paço passado
demolido
removido
da instância dos olhos
se paço havia em descompasso
com o passo no sapato
no-nu ato do pé
arrastando sapato e alma
passo-a-passo
até o paço do governador
das minas gerais não
mas sim do filão de ouro das minas gerais
( das não-minas gerais
do não-ser as minas gerais
em Minas Gerais
em governo e povo e terra
escrita-descrita na parábola cartesiana
de João Guimarães Rosa
outra voz do "pobre Aphonsos"
"em tristes responsos"
pelo caminho torto das minas gerais
no sapato de Minas Gerais )
e outro ato no olho vivo
( olho-que-tudo-vê-e-olha-enxerga-...)
existente
descontente
insurgente
insurreto como o sol preclaro
desmanchando casas escuras e zumbis
mas amassado em massa densa
dançando aritmicamente no compasso
amarfalhado em olho insone
que olhou o vivo ao vivo
dentro e fora do sono
com luz para sonho
e treva para sono
( sol solto dentro do corpo
e da mente iluminista
- humanista!
que há humanismo
desde a Grécia dos deuses antropomorfos
com os deuses antropomorfos!
pois o antropomorfismo dos deuses gregos
exprime um humanismo intenso
na mitologia-científica-poética-já-quase-com perspectiva-filosofante
dos gregos de Hesíodo-Homero
ou o que signifique e significou
no corpo do antigo significante desenhado em língua grega antiga
esse par-ímpar : Homero-Hesíodo )
e depois no olho morto
em células epiteliais
que coexistiam com a casa antiga
na trempe do tempo
construído ficto
pela substância mental
posta no verbo
em ser de lógica
ou logos
substância que faz
do olho vivo
o olhar morto
- do morto
mirando o frontispício
do hospício
casa antiga
morada da loucura
com "habitat" ou nicho em loucos
e não nas casas
sob a casca das paredes-meia
do nosocômio público ou privado

O olhar desmancha casas
pois não se olha para o passado
porque não existe pretérito
senão na verborréia cor-de-rosa
do olho na rosa banhada pelo sol
às mancheias de cores
ocultas no branco do lençol do fantasma solar
desveladas por Isaac Newton com o prisma

Casas só não são demolidas
pelos raios emitidos pelos olhos
ou pelas ondas de luz
nas quais os olhos vão de carona-na-canoa
até a casa mau-olhada no assombrado
onde se esconde no sonho
pois no mundo onírico
não há dessas "tsunami"
que arrastem casas
como se fossem
brinquedos da natureza
em fúria infantil
( A fúria da criação
que é o Criador
germinando na alma da criança
está nas crianças lúdicas por excelência
- e a natureza é sempre uma criança!...:
"El Niño y La Niña"... )

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

ORNITORRINCO (wikcionario wiki wik dicionario filosofico cientifico))


Uma língua em geóglifos
cantaria na ave...!
- está escrita no pássaro
canta na concepção melódica da ave ...:
e por essa música "geoglifada" na partitura avícola
descreve-a conceituando em genes
na forma do corpo anatômico e fisiológico
geométrico corpo
da ave concebida
quase sem pecado
não fosse a concepção geométrica do ser
que apaga o ente
Essa linguagem em geoglifos
- está escrita no poeta!
porquanto na alma do poeta
canta um idioma em geoglifos!
incrustado no espírito
nada santo
e paradoxalmente todo santo
se não se apegar aos fracionamentos
a revolver o homem em camadas sedimentares
dentro do poeta
o qual sobrevive no interior do homem

Todavia o homem
- o comum dos homens
não tem o poder de ler
em idioma geoglífico
graças aos seus apodos
anodos catodos geodos
e tropos : litote antonomásia
sinédoque hipérbole metonímia
metalepsia perífrase
- graças à Polímnia! :
Musa da retórica
- graças às três graças
e graças à sua graça na garça!
ó garça no paul
branca na vela da luz solar...:
- e graças à sua graça
"Stela" bela
- beta na manhã
alfa à noite

Um idioma em geóglifos
nem pode ser lido
em logos de homem
Somente pode ser ouvido
e lido na lida da escrita
naquele ato de poeta
no vidro da vida
- mas não na literatura do poeta!,
a qual dá à ciência
um pouco da esmola sapiencial
em vocábulos polifônicos
na terminologia de Goethe
Dostoievski-Modigliani
Chopin-Champollion
Platão-Planck
Euclides-Descartes
dentre outros poetas
oriundos do fundo
- do mais profundo
das várias línguas
que são linguagens
metafísicas ou matemáticas
cuja poesia
não pode ser escrita
pintada ou esculpida
senão na alma
do ornitorrinco e do ornitólogo
do macuco e do maluco
que é o homem
( - e somos nós!
poetas soterrados
por camadas geológicas da terra
no corpo e fora do corpo
ao montes nos montes
e pelos montes amontoados
em montanhas e serras e cordilheiras
vincadas pela escrita geoglifica do sol
que não lê em cuneiforme
nem tampouco em hieróglifos
grego copta
ou sânscrito dos sânscritos )

A língua geoglífica
haurida do cosmos
desce ao anjo natural
mensageiro dos poetas
porque tão-somente os poetas vitais
virais e vitalícios
e poetisas tais
( mais que tais! :
a mulher é muito mais vital-viral-vitalícia...)
têm acesso a ela
exposta em estela
ou quando amarela
na folha de outono
escrita ali
ou na asa da borboleta amarela
que passa pelo amarelo
o amarelo-canário ou ouro
pintado no espectro dos olhos
dos pintores impressionistas
à la Claude Monet
um poeta-vaga-lume de luz radiante
- ambiente

Contudo não podem escrevê-la
na sua poesia
os poetas
- mas apenas na sua alma!,
porquanto é um código
praticamente intraduzível em outro idioma
apenas passível de versão
em outra linguagem
ou outra língua
enfim, em língua-linguagem
para além de qualquer escrita para leitura e literatura
pois não está arraigada
no depois temporal do verbo
o qual inventa e emite
um tempo para inexistência do homem
- tempo para homem morto
que não tem mais tempo
junto às ervas verdejantes
esparsas nos passos dos caminhos plantados com os pés

A aventura de traduzir
tal língua em vernáculo
ou em qualquer outro código linguístico
ou de linguagem
é algo assim como fazer tradução
do galo para o francês
ou do francês ao galo
- da antiga Gália
onde vivia o gaulês
no geodo do corpo
escrito com genes
em um código de comunicação em geóglifos
- um dentre infinitos códigos de comunicação geoglífica
se há algum infinito
em linguagem matemática "algebricada"
que pensa o todo
e mais que o todo :
o infinito
e o nada
outrossim algebrizado
- o nada que denega tudo
nos atos dos matemáticos
apóstolos dos poetas
e dos filósofos na nadificação
- do nado ao nada
( e do nada ao nado?!... )

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

CIÊNCIA ( wikcionario wiki wik dicionario wikipedia etimologia wapedia )

A maior parte da ciência é arbitrária, ou melhor, arbitrariedade, está fundada no livre-arbítrio, o que quer que seja esse paradoxo ao modo grego de ser ou de por o ser nas coisas originárias da natureza e nos entes cuja origem é o fenômeno.
Aliás, os sábios gregos observaram paradoxos em toda ciência, por mínimo que fosse o enunciado ou a presunção de que o Direito hoje tanto se arroga peremptório como todo produto da ignorância, senão da estupidez desarvorada. Sequer há uma definição adequada de ciência, mesmo porque o que há de ciência é exíguo no vasto universo de conhecimentos não descoberto ou inventado.
Para os antigos sábios e eruditos da Hélade, o paradoxo era maior que o conhecimento e ainda hoje o que a ciência construiu em conhecimento é irrelevante ante o universo ou mesmo para estudar uma partícula ínfima ou ainda algo que está no cotidiano, um artefato, uma coisas, um produto natural ou que quer que seja, o ser humano não consegue saber nem conhecer nem um por cento do que estudou ; isso só mostra que o paradoxo é algo maior que o conhecimento humano : o paradoxo de conhecer, pois conhecer é paradoxal, na raiz do conhecimento está implantado o paradoxo.
A ciência ou conhecimento cientifico é mínimo, menos de um por cento de conhecimento e o restante preenchido por pseudo-conhecimento ou normas. A separação artificial ou estratégica entre ciência normativa e cognitiva é fictícia ( na "didática" talvez esteja esta desculpa para a falha gritante ) , pois a maioria dos "conhecimentos" da ciência cognitiva são meras praxes e ordens ou normas, ou seja, toda a ciência, excepto por um percentual mínimo, insignificante é normativa, não passa de um conjunto de normas ou ordenamento ( uma forma de policiamento feito através das normas do Direito positivo : as leis, decretos...).
A ciência se bifurca em fenomenologia e, basicamente, física. Dicotomia maniqueísta.
Estas as ciências : fenomenologia, erudito campo da filosofia ou metafísica, que vasculha o pensamento e o fenômeno do pensamento e dos sentidos em conjunção e separadamente ; e física, as ciências práticas, diretamente aplicáveis por técnicos treinados e versados em determinados campos científicos que os propiciam conhecer as técnicas ( tecnologia ) e aplicá-las ( técnica ou engenharia ) sendo o resto técnicas ou métodos ou meras aplicações : medicina, fisioterapia, engenharia, Direito, sociologia, biologia, antropologia, etc.
O estudo do fenômeno ou fenomenologia também é chamado ( ou poderia ser ) de filosofia, metafísica, ontologia, epistemologia, enfim, tudo o que se debruça sobre o pensamento ou sobre o ser que "anima" (alma) o ente. São fenomenólogos os poetas, filósofos e pensadores livres, bem como todo artista e religioso ( político). Político no sentido originário do termo e no melhor sentido, o homem religioso de fato ou em ato é o santo, um artista da vida e um artífice na prática da ética e um elucubrador de uma inovadora noética. Vide São Francisco de Assis, ou o profeta João Batista ( São João Batista cristão é quase outro profeta, nos fatos que constituem os evangelhos, que o coloca submisso a Jesus um homem temerário e insubordinado, de natureza indômita e pura, merecidamente figura ( geométrica?! num sentido geométrico ainda não explorado) mui aclamada em duas ou mais religiões, graças ao seu carisma e inteligência excepcional adicionada a uma coragem, uma força de caráter de herói : um dos maiores homens da humanidade, no que consta da lenda e do mito, evidentemente, pois ao homem ( enquanto ente ou "coisa" historial não chegamos, senão por via dos fenômenos imaginados, paginados em livros santos ).
A física, por seu lado, foca o "logos" nas coisas, mascarando-as e confundindo-as com fatos naturais, os quais são fenômenos, não coisas, mas manifestações do ser no ente, no fenômeno, objeto de fenomenologia da física, mas não de física enquanto técnica, que lida com as coisas, pois o ser humano pode entrar em contato com as coisa por meios dos sentidos, mormente do tato, senso táctil, que dá a noção de textura e pressão , dentre outros fatos que envolvem coisas ou realidades, que as circundam. aparecem aos sentidos, mas não considera o fenômeno, senão vagamente, porquanto o fenômeno não é seu objeto de estudo.
A física estuda o nada das coisas, a nadificação que resta ao se ignorar os fenômenos e se debruçar sobranceira sobre as coisas ou fatos, campo da técnica e , evidentemente, da tecnologia, cuja língua é a escrita e a linguagem utilizada para a notação da percepção é a matemática, cuja linguagem é simbólica e, às vezes, faz uso de signos ( letras gregas) como símbolo e não significativamente.Há na física uma confusão entre o que é seu objeto e os objetos que concernem à técnica.Na sua falta de saber e conhecimento truncado, a ciência se mescla com a técnica ( tecnologia ) e arrota sucessos, que são técnicos e não científicos. Obras do fazer e não do saber ou do conhecimento que partilham a maniquéia presente no universo e no pensamento do ser humano.
A física se louva nas coisas e fatos enquanto a fenomenologia, no caso específico da palavra dada : ontologia, tem seu fulcro no ser e em outros aspectos do ser insulado em objetos para a epistemologia, a ética, a teologia, etc.
A fenomenologia é o estudo dos fenômenos, que são atos voluntários e involuntários do ser humano e dos animais, quiçá do vegetais e minerais. Não? A fenomenologia estuda atos, e o faz por meio de objetos, dos objetos que desenha em conceitos, geométricos e linguísticos, semânticos.Geometria, semiologia e semiótica, além de contexto ( interesses os mais variados, desde o político, o religioso, que é a primitiva forma da política e outros controles sociais).
A física em objeto desenhado para cavar os mistérios e véus da matéria e anergia que, ao formar a matéria, ou ao contê0-la em sua geometria antropocêntrica, dá a coisa, que a físcia tem pretensão de ser seu objeto, conquanto coisas não podem ser objetos da física, enquanto ciência, mas somente da técnica e da tecnologia, que já não é mais física, mas métodos e técnicas passadas pela palavra e pela linguagem matemática, algébrica, aritmética, etc.
A fenomenologia tem como objeto o conhecimento e a física, idem. Nenhuma ciência tem seu objeto no saber ou sabedoria, que fica para ser explorado e explanado em amplo espectro pela literatura e demais linguagens que toma de empréstimo à cultura as manifestações artísticas : escultura ( grafia e desenho estão neste espectro, bem como toda a geometria euclidiana ou não-euclidiana ).
O saber ou sabedoria, algo vital, algo que está em vida e é vivo, escapa à ciência e só pode ter seu campo de estudo através do pensamento vegetativo e, ao mesmo tempo, racional da literatura e artes, pois não constituem objeto de estudo, porquanto a vida não é objeto de estudo ou indagação : a vida está nos atos e os atos não estão parados nos fatos dados pelo verbo ou pelos símbolos que representam fatos.
Não confundir objeto com coisa ; objeto é conceito, coisa não; conceito é o que pensamento humano desenha ( em figuras geométricas ou geometrizadas, que é a forma grega de desenhar, a forma basal do desenho ou debuxo na cultura ocidental, desde Euclides ( de Mégara?) ) e põe em palavras ( desenho da grafia com signos e símbolos ).
Conceitos são, portanto, percepções humanas através do fenômeno : são fenomenologias quando mentais, racionais ; enquanto coisas não são talhadas pelo homem, embora sim pelo fenômeno, quando esta ( a coisa) entra e sai do homem enquanto objeto de percepção e razão ; porém então já não é coisa, mas objeto. Coisas estão no espaço e tempo aparentemente ou realmente fora do homem, na existência; objetos são concepções mentais, algo que o homem "pariu" ou concebeu ao pensar : objetos são entes do pensamento, entes humanos ( signos, símbolos são objetos, dentre outros inúmeros, miríades de insetos nos quadros de Joan Miró).
Objetos são essências, formas de pensamento por signos, símbolos, sinais, desenhos, palavras, etc.
Não obstante, a palavra "coisa" é um objeto, pois não está em natureza, mas presente em cultura, pelo ser,quando colocada como objeto do "logos" ( lógica, palavra), enquanto vocábulo ou conceito e não a coisa mesma ou "coisa em si", no jargão kantiano.
Quando o pensamento, que nada é senão o homem alienado, ou seja, o ser humano enquanto ser que se separa e se aliena na razão, na figura conceptual do filósofo ou enquanto se arroga cientista ou artista, enfim, daquilo que não é o homem integral, mas parte do homem, ou seja, metade do homem ou um percentual do homem, que é o ser integral em seu coro e mente, podendo e capaz para todas as atividades humanas : apto a ser monge, que é em si, ou advogado ou cientista ou filósofo ou poeta ou o que quer que seja, inclusive assassino, predador, pois está em sua natureza animal, de centauro, de fera.
O homem é tudo o que existe em potência ou potencial em sua essência ou pode ser tudo o que quiser, inclusive rei, porquanto já o é de fato usurpado dessa função precípua pelos pseudo representantes " do rei" ou povo, que é outro nome para regente : pode ser o homem um filósofo, sacerdote, poeta, gari, monge, enfim, toda a realidade do homem está no homem e toda a realização,; porém, não na concepção abstrata de homem, mas no homem real, o indivíduo ; todavia, o próprio pensamento, que é a fonte do conhecimento, mas não da sabedoria, separa o homem dessa realidade e da realização em si de tudo o que é e do qual é usurpado : o homem, todo homem, enquanto indivíduo é o rei usurpado do trono pelos seus "representantes" simbólicos reais e "majestáticos", figurinhas de naipe, do naipe do baralho ou do tarô ); renovando a frase anterior à esta digressão: quando o pensamento dá o ser, põe no ser o objeto, o "ovo" do homem, o que não ocorre na coisa ( a dita ou maldita "coisa em si" ou em natureza ) que não cabe em objeto, pois o objeto é feito com abstração ou alienação de toda a realidade natural circundante : é técnica matemática que a filosofia e, quiçá, antes da filosofia ou junto ao ela a geometria concebeu.
Talvez a geometria tenha sido a primeira ciência a conceber o objeto em conceitos que desenham e postulam, ou seja, põe o ser : postular é por o ser. Possivelmente foi a geometria a primeira ciência focada sob atos, cujos objeto foi atos ( atos são sempre humanos : a natureza nos fornece fatos, pois ao olhar para o mundo natural já chegamos atrasados a anos luz, se for estrelas, ou a poucos minutos, se for um ato que acabamos de perpetrar agora, que é fato menos de um segundo depois de cometido, quer seja um ato criminoso ou caritativo).
Os atos na geometria são os desenhos geométricos : "design" originários. A geometria é uma fenomenologia que estuda atos; a física, deveria estudar fatos, se não confundisse fatos, que vem de fenômenos, com coisas, que são objetos da técnica.As coisas somente são objetos quando o homem enquanto alienado em inventor ou artífice ou artesão põe a mão no objeto ao invés de por o ser.
Por o ser significa que o homem em ato, em pensamento e ação física, põe o fenômeno percebido ou o ato transformado ( e transtornado pelo paradoxo!) em fato posto ( não-ser) pelo verbo ( a língua, as palavras) , pela geometria, matemática, técnica, etc. O fato, em contrapartida ao ato, que é o ser, o que se apresenta no presente (redundantemente! ), sendo o presente o único tempo real, ou tempo de ato, é, ao contrário do ato, seu antípoda : o não-ser, ois o ato sempre está no tempo natural enquanto o fato está tão-somente no tempo verbal, geométrico, matemático...enfim, num tempo em essência, penado, imaginado, ou real e existente apenas mentalmente, mas não na realidade ou no mundo natural, onde o ato já é dado como fato pelo fenômeno que só capta o ser no real, pela sabedoria ou saber que prova o mundo no momento existente.
Quando o homem põe a mão para fabricar ou aperfeiçoar objetos, ocorre a técnica, e então o que era coisa se transforma em objeto ou coisa realizada num objeto, num ato humano integralmente voltado para produzir fatos. Campo de estudo da física, que deveria estudar esses fatos realizados e não coisas fora do foco, envoltas no véus das trevas e da luz.
Quando o homem põe o ser sobre as coisas, cobre, oculta, vela as coisas sobre o véu do ser, então dá-se o desvelamento, que o pensador pré-socrático denomina "Aletheia" ( desvelamento, retirada da luz e da sombra, o que é impossível ao olho para ver com a mente platônica "aquilo que é para o homem : o ser e não a coisa é o que é para o homem, o fenomenólogo). Esse desvelamento ou aletheia é uma mescla de conhecimento e sabedoria, ato do pensamento que permite saber da coisa, arrancar-lhe o véu ( de Maya, Maria, simbólica, alegoricamente na arte e na religião e misticismo, que são arte de outra cepa...)
A sabedoria ou saber ( saborear o mundo, as coisas ), diferentemente do conhecimento ou erudição, cuja base são signos e símbolos, não são objetos mentais, mas encontros com coisas viradas em fatos pela elaboração da percepção, que produz , em seus atos, ou em atos humanos, fatos, cuja "matéria-prima" são as coisas. O saber é percepção viva e não mera lembrança ou memória de mente morta no fato, fria no fato. A sabedoria ou saber é ato ( e ato é algo vivo, no feixe que forma o tempo com o espaço) e não algo que já passou ( fato), que derivou de atos.
Atos passados são fatos, sendo que o passado é apenas vivo no verbo e não em natureza; logo, não é algo real, posto junto com as coisas e os fenômenos, mas atividade separada, memória do tempo, que nos fornece a primeira forma de leitura da vida e das coisas e a primeira ciência e literatura.
É a literatura a forma erudita que cria ( ou inventa?) a possibilidade de ciência pela físcia e filosofia passando pelo mito e pela lenda, forma oral.