quinta-feira, 16 de maio de 2013

ARCABUZ(ARCABUZ!) - dicionario wikcionario wikdicionario


Quero demudar-me perto do marimbondo
estabelecer-me-ei ali
em sua circunvizinhança
como num casamento feliz
- numa casamata... : Em Terezín!...
Ei! Hei de ser feliz!,
terrificante terrier!,
trovador provençal 
de gaio saber.
(Há o gaio-comum
("Garrulus glandarius").

Hei-de viver nas adjacências
à morada do marimbondo
enamorado do xadrez
que o veste em avatar oblongo
tocado a gongo
jongo canto
sempre encanto.
Adjacente à sua casa
ou caixa-de-marimbondo...
- aspiro ser e assistir ao levante do ser!
em nome da gaia ciência.

Ei! Hei-de ser meio e fim
para a felicidade
- minha e alheia!
Ei! Hei-de ser feliz,
flor-de-lis!,
lótus sobranceira
sobre lodos
e lobos,
lóbulos frontais,
temporais...
Gira sol!, gira!...:
Girassol!( "Helianthus annuus"),
gladíolo,
"Gladiolus sp",
"Gladiolus palustri", brevifolius...
Gladiador
- Gladiador a digladiar,
gládio em riste... 

Haverei de montar uma tenda
um tabernáculo
para lá viver
no ritmo que me ordena Alá
enquanto ordenho a vaca pintalgada
a mocha a malhada a preta a branca nelore
no cocho
no pasto
no vasto
antepasto
do desfastio!,
sem portar mosquete
ser mosqueteiro
mosquiteiro ter
espadachim chim sim ser
ou não ser
nem fazer a questão
com o arcabuz(arcabuz!)
ao omoplata,
o capuz...
Num burel metido a doido
- doudo homem feliz
por uma perdiz
perdida
- perdido homem
vou perdidamente apaixonado!
pelo caminhar,
pela folha verde
toda em liras
- numa lírica eremita peregrina
de um poeta doudo!
que habita casa louca
meia-telha e meia-lua,
meio São Francisco de Assis,
outra metade no filósofo cínico...

Ei! Hei-de ser feliz
como sempre quis
entre os miosótis
e os xis com pis radianos
e bis
- Biscaia!,
praia e golfo de Biscaia...,
mar de Cortez
- e ai! tantos Tântalos!
a cavaleiro negro de Thanatus...
à sombra de Thanatus
- noite-madrugada fora
em foro íntimo
inclinada ângulos, graus,minutos
em zona sombria
com ponto de orvalho madrigal
e arroio ao arrozal banhado
num arrazoado rumorejante.

Ei! Eu que sou feliz
aquinhoado com todo bem d'alma
a consonar com a Nicomaquéia
ou com o riso escarninho  da Menipéia
tenho comigo que a noite é grande,
longa  demais para mim
sem ou com sua sobrepeliz
com tecitura de fios de estrelas
ou metal  para chafariz
em trama pelo tear urdida
em resenha de metáforas!

Eia! avante!, amazona, unicórnio, centauro...!...
( Mas... -  e se Deus!
renunciar antes da luz dilucular...?!...).

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segunda-feira, 29 de abril de 2013

PERENIFÓLIA(PERENIFÓLIA!) - wikcionário wikcionario

Sugar apple on tree.jpg
Aguarrás, terebentina.
O Brasil é a cara
de um país injusto:
oligarquias, oligofrênicos todo-poderosos,
Deus assente no ausente,
gente indigente...
crimes banais,
capitais 
- nas capitais
( Captais?!
Isso  é capital
para a travessia
da ponte-pênsil
entre o capital de Adão,
de Adam Smith,
Lorde  Keynes (Lorde?),
Karl Marx
e o pragma americanizado ao norte
em douto pragmatismo
dos pragmáticos de norte-América
- única ligeira filosofia ameríndia
a por a razão em regime
e regimento
antes do pau
que dá no vau do sul
as brasas da desordem
e do regresso eterno
ainda que tardio o dia
e a decrepitude do sistema
grude na atitude
do brasileiro em fumaça
frente ao braseiro
do diabo assado,
azado.
( Mas mais injusto sou
- eu, Orfeu, - que procuro?
- o Hades na Terra,
o guante Dante?,
pois ela é casada com outro
tem duas filhas
e não posso, Orfeu,
descer aos infernos
para tirá-la de Hades,
pois ela não está nos infernos.Selá.
Marca o ritmo do salmo de David.
David da funda
que matou Golias
era o mesmo David da harpa
que criou o saltério.
Ai! Davi e Betsabá!...
meus Deus!...
( Mas se todos somos
Davi de Betsabá
e Betsabá de Davi
-  e de fato o somos nas histórias
que rolam mil
como besouro-rola-bosta!...
Então como fugir covardemente ao destino
de amar incondicionalmente!...,
minha bela Betsabá?!...
-  ainda mais se não és Jezabel,
aquela mulher...: Jezabel!..
mas a apaixonada Betsabá
que deu à luz Salomão,
o mais sábio dos homens
e maior dos reis,
abaixo de Cristo!...
De mais a mais
as histórias são as mesmas
enroladas em si
escritas primeiro por dentro do claustro beneditino
pelo monge escriba
que é o corpo humano
em seu livro enrolado feito pergaminho
no DNA, um ácido Desoxirribonucleico,
biblioteca e Bíblia
da história de todos em conjunto
ou individualmente, na poesia,
que a história é narrada
em gestas trançadas no DNA
antes de estar apto o punho
para traçar signos linguísticos
ou a natureza em geoglifos e petróglifos
contar as Eras geológicas)).

Aguarrás, terebintina.
O  Brasil é a face da ignorância
e do  ranço avoengo, atávico:
gente demente
poder usurpado às elites
que gravitam sem  lei
que as una
no  uno do ser
que doa o ser
e a ontologia dá ao conhecimento
que assim desmancha a mancha
sem manche da estupidez
- peste negra
que grassa no dia grosso:
osso do osso
é isso, no entanto
- e tanto!

Cornalheira, terebinto ( "Pistacea terebinthus"),
planta da família botânica : família  Anacardiácea,
de onde provem o caju ( "Anacardium ocidentale")
e a mangua("Mangifera indica"),
queria mais : eu,
era morar mais ela
e não mais  longe dela,
enquanto é possível
que tenhamos filhos
que não vivam sub o jugo do egoísmo
queimando em brasas no pau-brasil.
Habitar em meio a uma floresta extensa-intensa
verstas e verstas longe
desta civilização de bárbaros bávaros
que tartamudeiam e pensam
em bar-bar genuíno
soçobrando de bar em bar
sem beira sem eira
amando ídolos de lata e papel,
anelídeos...
com azuis  teóricos na tese do caos
em acordes do violinista azul
que acolheu o anil
para aquecer toque nervosos
no violino Stradivarius
que vara a noite vária...
junto à ária esparsa no ar
da águia, harpia
em harpejos...,
pária
- de pátria...
onde há casta
- casta castiça
na língua
que castiga
com castiçal
a cantiga
e castra
o casto
no claustro...
( queda violino louco!
- tocando num lampejo
todo o verão de Vivaldi!...
com pleno vigor,
no viço do vício
- sexual!...:
a beijar sem medir a boca,
a língua, os dentes,
os lábios carnudos,
a saliva e a lambida...
ai! quanta ânsia de amor,
quão febril minha paixão por ela!,
imensa, intensa, não infensa ao delírio!...:
amor de ocasionar um cataclismo!
deixar intermitente  ciclo da água...).

( Amada, desejo ardentemente
morar verstas e verstas
dentro de ti!,
- do teu coração
e da boca aberta
e dos olhos arregalados...
- e do que mais economizo dizer
para não parecer obsceno
na graça  de Adam Smith
e John Maynard  Keynes
dentre outros ilustrados e ilustres ecônomos!
Todavia, toda vida que vivi aqui
o fluxo racional-político
não fluiu em tupi
na Pindorama pré-cabralina,
ironicamente, jocosamente,
empós alvoradas alvoraçadas em pó de mosquete
nomeada Terra da Vera Cruz
agora pau-brasil
em brasa sobre o anil
que dá apetite
de acepipe,
quindim,
quitute,
iguarias sem igual
pelo igarapé
cavada o calado na canoa
de bombordo a boreste,
piroga dos maoris...
quilha, carena,
Carina, constelação do hemisfério celestial sul,
Canopus, Canopéia,
Alpha Carinae...
seu céu adentro,
mui amada minha :
Cassiopeia
a constelar meu céu...).

Minha terra é das palmeiras
e também das Pindaíbas,
"Duguetia laceolata",
"Xylopia brasiliensis',
floresta ombrófila,
perenifólia(perenifólia!) ,
semidecidual...
mas não justiça
nem direito entre o ato e o fato
voejando na solidão
entre as asas das procelárias... 

  profeta oséias amós oseias amos isaías isaias jeremias jonas joel
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quinta-feira, 28 de março de 2013

MANCHA(MANCHA!) - etimologia etimo

Olho com os olhos de Leonardo da Vinci
quando vejo uma mulher
de beleza inata.
O belo e a verdade
andam juntos,
despertam admiração
fonte da arte e da filosofia,
do esteta e do douto :
um a cavaleiro do saber
( "homo sapiens sapiens"
que sabe que sabe
a mel, fel e sabre),
- sápido, insípido ("insipidus") e melífico(mellitus")
no céu da boca do provador do doce
colhido na boca da mulher que traz
um travo amargo
mesclado à doçura,
vez que a vida é dúplice deidade ímpia
e nada escorreita,
que espreita embuçada na morte
que se segue ao mínimo mote
à mais insignificante glosa);
Um sobre a cela do cavalo
a saber trotar em torque militar
e outro na arte do  fazer
( "homo faber"
fabular em Kafka,
George Owen
e outros livres assim
a ponto de desperdiçar sem dó
toda a liberdade humana
que não sobeja para o demais em massa
- falida, falhada, abortada,
abordada pelos pilantras com falsos poderes usurpados,
pelintras políticos,
que cavam a demência da vida humana
em si, pois neles abunda o filão,
em minas gerais derramado em derrama
sob solstícios e equinócios
mas sem sentido
excepto aquele sentido do espaço vetorial
que veste os pobres e louco matemáticos
de teses esdrúxulas
abstrusas tal qual a teologia sutil de Duns Scott
e outros dessa envergadura do condor,
mas que mesmo assim
fora do estilo de Píndaro movido a ditirambos
faz o belo
- e do belo que suscita o eufemismo,
que é a beleza,
eufemismo essencial para se tolerar
a vida escravizada
sob as instituições intolerantes e intoleráveis
sempre falidas em massa e espírito santo
ou alma em maldição satânica
tangida pela lira do mísero profeta dos infernos
que foi o caricaturesco e doentio Baudelaire
adorado por captar a decrepitude do europeu culto
alienado de si há séculos
graças aos leviatãs em levante
nas instituições que encontramos
a meio do caminho do barco e do bar
quais pedras ou pedreiras
no sapato do gato de botas
a passo de gaivotas feridas de morte
- asilos institucionaliazados pela violência da lei
que começa na família de felás
que nos transformam, industrialmente,
pela força bruta
oriunda da metáfora tirada
ao centauro Quirão exposto em Maquiavel,
em "Opus" para Príncipes,
ou seja políticos,
os quais, inobstante,
em sua hipocrisia natural,
fingem abominar,
vez que tal obra
é, quiça, apenas uma cartilha
mais extensa e intensa
de obra de Hitler,
na qual se exclui o judeu
e inclui todos os demais seres humanos,
excetuando os mandatários vitalícios,
para maior gáudio do rebotalho
com sua escatologia suja
de corpo fétido e alma penada
lavada na cara lavada de pau).

Ei-la!,  a união maculada do conhecimento e prática,
a filosofia e a práxis poética,
que não está na cesta básica
da plebe ignara e sub-humana
que os mefistofélicos Hitlers,
que são as instituições
vendidas e venais,
com os políticos no comando delas,
- políticos que as criaram para inserir
outra forma sutil de holocausto imperceptível,
senão sob a forma da fábula kafkiana,
em vestes talares e togas negras
em todos os dias do cotidiano
com  inquisidores, torturadores e fogueiras
para queimar as vaidades e abater o orgulho
do ser humano livre
dessa civilização para escravos estúpidos
indo do finito temático
ao infinito matemático:
tudo uma loucura para crônicas pictóricas
de Bruegel e Bosch
entre o pinturesco e o picaresco

( Entrementes, senhores dementes,
o ser humano continua belo
porque o anjo
que o desentorta
e desentoca
é o poeta
que retoma o clamor do profeta
e evira os queixumes enamorados
pela sua senhora,
tal qual o fazia Dom Quixote de La Mancha,
o cavaleiro andante sem mancha,
ainda que vivendo à sombra da Mancha,
que não mancha ninguém
( quem se mancha
e nos mancha
está no manche dos políticos,
os quais, já nem são mais homens,
mas meros "políticos",
alienações ou aberrações do homem
enquanto indivíduo,
- os políticos s]ao seres sem ser ,
atores, hipócritas,
mergulhados nas trevas do homem
que roda a liberdade
sob o olhar atento da criança
que é esta roda a rodar em ciranda ),
O homem é mais que o profeta
que lhe habita a alma
e muito mais trilhões de galáxias
que as instituições, as quais não passam de meros asilos
para acolher os fracos e derrotados
e para tornar o homem escravo
ou servo da gleba do políticos
( estas bestas do apocalipse!),
porquanto estes últimos espantalhos de palha,
os políticos, e tudo intrometidos, abelhudos,
não logram subverter o profeta
que ainda restou íntegro
mesmo sob a figura e indumentária
e paramentos em versos melífluos
do caricaturesco poeta romântico ou clássico
que não é digno
sequer de lavar os pés do profeta Amós
em sua ferocidade de leão
defendendo a verdade
e a fé no homem,
que é a fé em Deus
e não nas alienações institucionalizadas
e mantidas pela lei cruel dos potentados,
sua corrupção indevassável,
- lei e direito também cognominado, ironicamente,
de estado, reino ou república,
conquanto não passem de feudos
que não pertencem ao povo em rebanho
junto demais  alimárias no pasto,
porém são propriedade ou latifúndios sem fundo
de alguns usurpadores,
pois votamos para eleger nossos ladrões
isentos e imunes à lei.
Aliás, esse fato está registrado em toda a história humana,
uma história natural para bichos de fábula,
quando em sociedade ou comunidade
e para zoólogos, quando fora do fabulário,
sob a políticos que submete o ingênuo zoólogo
que não logo descobre
que a zoologia é uma farsa
travestida de ciência
mas cuja essência é a norma
que os símios investidos no poder
põe na violência da lei
que deve ser cumprida
ainda que pereçamos todos
- os tolos!
que somos coagidos por lei a ser.
( A lei manda não ousar ser
o que somos,
mas sim a não-ser,
apenas a se contentar
em existir
como escravos ou servos da gleba,
ó senhores pais incautos
e pedagogos que fazem as vezes do bobo
fora do recinto da coorte,
sem corte ou censura!,
ó bobos!).

A! o homem livre,
o autodidata responsável por si,
o filósofo emancipado intelectualmente,
o erudito que se auto-educou,
o poeta fútil e vil
que descobriu o profeta
dentro do seu santo dos santos!,
ai! esse (este!) homem pleno,
completo, cabal,
auto-construído, pedra por pedra,
por si mesmo,
segue a passo
e continua a galope desenfreado
até achar a besta,
que pasta dentro de cada político,
seja ele deputado, governador, escritor, médico, cientista
ou filósofo comprado com 30 moedas,
preço do Campo do Oleiro,
- segue à sombra
da espiã que me amava
e no seio da qual eu...- não mamava!
- pois trazia em segredo do degredo
a pistola oculta no sutiã
no lado esquerdo do peito feminil,
peçonha no leite derramado...
- e seu coração era uma adaga
de fino lavor.
Pobre espiã que não se amava,
mas pensava que me amava
e panas mamava
a peçonha da cascavel
que vale mais que o mundo  dos homens,
mais venenoso e pérfido
que todos os diabos!
Pobre mulher
que não sabia amar!
- e não podia, destarte, ser amada
até lavar a peçonha da alma!,
negra noite hemotóxica,
neurotóxica do veneno na veia cava...
que leva à cova...

Malgrado todos os trâmites de Mefistófeles,
o ser humano é sábio
porque o filósofo que há nele
- é toda a filosofia...
- e mais, muito mais! - que toda a filosofia!,
Mesmo porque não há filosofia alguma,
nem grega tampouco gregária,
mas apenas e tão-somente filósofos,
quando os há,
porque são poucos
aqueles que sobram da eliminação
por Jezabel, a espiã que me amava tanto!
Jezabel, Jezabel, bela Jezabel!,
que também fere de morte
profetas que se rebaixam em poetas
e trovadores de antanho
no  canto e chão
a que descem - anjos decaídos,
descaídos ébrios
embrulhados no sono pela madrugada.

Eu canto Isaías, Jeremias, Oseías
e todos o conjurados!....:
Todos os conjurados
que fazem a  muralha social e política
mover um centímetro cúbico
por século quadrado e enquadrado
pelas legiões de demônios políticos
e seus asseclas e sicários varonis
dos Brasis queimados, esturricados
pela seca de homens
que derramaram o bom leite de sangue
no chão das insurreições,
nos hinos que sublevam
até o operário resignado
e amedrontado pelo fuzil
dos cães mercenários
que se pensam gente
( mas são menos que mastins!)
quando ferem ou humilham o outro
não percebendo ( eles não tem paga para perceber!)
que breve, em outro tempo que não tarda,
a tarja será para seus filhos e netos!
E ele mesmo será esquartejado amanhã
na manhã em manha cinza
tal qual o foi o conjurado alferes Tiradentes,
que não servia mais à tropa
ou aos desígnios frios do rei
e de seus sátrapas imbecis!
Será outro Tiradentes,
que não se sabe quem foi,
que se sabe que deveria
extrair dentes,
nem mesmo se sabe
se sabre tinha,
se é que agora ou antes importava sabre
ou saber do sabre
de de outras coisas
que não se sabe.
( Em mim ri um filósofo cínico,
um Demócrito zombeteiro...
- e olha de cima
um deus epicureu
frente a infâmia humana,
a peste negra endêmica e epidêmica da estupidez
que grassa
em meio ao ambiente político imundo
aonde vai e vive e vige a lei
do rei da canalha ignara, ignóbil, vil, fementida,
pela qual nada sinto,
excepto desdém,
conquanto tenha piedade
da ingenuidade do populacho).
..............................
..............................
.............
Uma beleza nata
é cheia de graça
tal qual Maria Santíssima!:
- ...e a flor em carmim pintada pelo campo!
que oculta a víbora
sempre salvagem
nunca domada,
indômita a tal ponto
que passou a ser o símbolo e gesto
- do diabo ( ou demônio!)
que transfigurou a face do céu e da terra
criando a religião de Deus :
- deu uma religião a Deus
e outra aos pontífices
e outros políticos ímpios
que se fazem de pio :
Pio XII!
( Pia mentira?!...
Prefiro o pio da natureza
no pato, no pintainho, no pássaro).

Essa graça divina de Maria
imprime a dignidade
em suas atitudes naturais,
femininas, divinas,
às mulheres virtuosas
que sopram o oboé
e são belas oboístas
virtuoses no instrumento
que sopram seu anjo de dentro
para fora da música...
Oh! Musa, libérrima, ubérrima...
(A emoção de amar-te
não cabe nas palavras, Cassiopeia!,
- nem  naquele abraço de ontem!
ou de todos que nos daremos!)
..............................
....................................................
A inteligência congênita
traz o belo à baila
e junto vem a verdade ou aletheia,
a consonar com o contexto da língua e cultura
que pode ser grego ou romano.

Todavia há algo feio
e escuro na foice das trevas :
- a morte!

A morte no corpo do morto
é algo assim
qual folha, flor, madeira
sem árvore, erva, trepadeira, liana, arbusto...
- sem inteligência!,
 graça e beleza
pois a morte é a fealdade,
a initeligência do pedaço de pau seco
caído da queda do anjo no galho,
esgalho torto, morto,
sem vida,
sem inteligência
- que é vida!
Por isso a morte é tão rejeitada!,
nunca aceita...

Pior que a morte
é a eutanásia,
morte pelo médico,
indigna morte,
quando não é piedosa
( mas nunca é piedosa!) :
A eutanásia é ato mais abominável
que o suicídio,
pois o suicídio é a decisão do louco,
do desesperado,
ou que quem sabe
o que é melhor para si,
mas, apesar dos pesares e percalços
- o suicídio é uma decisão do ser
revirado em si
no gesto do verme
a se retorcer de dor,
que se mata,
dando fim a uma indignidade.
Já a  eutanásia é fria atitude da razão,
mera economia da morte
- e quiçá da vida
que se desgasta no vegetal fixado em raiz
de sistema nervoso plantado
em alma sem sonar
para morcego voar à noite...
- a noite!,
antes da noite
que está viva
fora dos nervos do sistema
que, nervoso, agarra-se à derradeira erva daninha
- que não passa da primeira filósofa cínica
dominadora dos sistemas
que regem a vida e a morte.

A morte só é bela na "Pietà",
na tragédia, que é sempre uma deusa grega,
e cuja filha é a filosofia,
outra grega divindade,
pois tão-somente na arte está salva da fealdade
- pelo frágil poder do eufemismo,
que me parece atitude feminina-fetichista
com rasgo religioso-político
e poder de cura
pelo amor sublime
ou paixão avassaladora
que subverte a ordem
e dá coordenadas à desordem.

( Excerto do Opúsculo " Livro de Lei Proibido para Imbecis e Idiotas Endêmicos e Epidêmicos, mas não Vedado às Ervas Daninhas porque são Filósofas Cínicas e não Estúpidos Acríticos!") Olho como os olhos de Leonardo da Vinci
quando vejo uma mulher
de beleza inata.
O belo e a verdade
andam juntos,
despertam admiração
fonte da arte e da filosofia,
do esteta e do douto :
um a cavaleiro do saber
( "homo sapiens sapiens"
que sabe que sabe
a mel, fel e sabre),
- sápido, insípido ("insipidus") e melífico(mellitus")
no céu da boca do provador do doce
colhido na boca da mulher que traz
um travo amargo
mesclado à doçura,
vez que a vida é dúplice deidade ímpia
e nada escorreita,
que espreita embuçada na morte
que se segue ao mínimo mote
à mais insignificante glosa);
Um sobre a cela do cavalo
a saber trotar em torque militar
e outro na arte do  fazer
( "homo faber"
fabular em Kafka,
George Owen
e outros livres assim
a ponto de desperdiçar sem dó
toda a liberdade humana
que não sobeja para o demais em massa
- falida, falhada, abortada,
abordada pelos pilantras com falsos poderes usurpados,
pelintras políticos,
que cavam a demência da vida humana
em si, pois neles abunda o filão,
em minas gerais derramado em derrama
sob solstícios e equinócios
mas sem sentido
excepto aquele sentido do espaço vetorial
que veste os pobres e louco matemáticos
de teses esdrúxulas
abstrusas tal qual a teologia sutil de Duns Scott
e outros dessa envergadura do condor,
mas que mesmo assim
fora do estilo de Píndaro movido a ditirambos
faz o belo
- e do belo que suscita o eufemismo,
que é a beleza,
eufemismo essencial para se tolerar
a vida escravizada
sob as instituições intolerantes e intoleráveis
sempre falidas em massa e espírito santo
ou alma em maldição satânica
tangida pela lira do mísero profeta dos infernos
que foi o caricaturesco e doentio Baudelaire
adorado por captar a decrepitude do europeu culto
alienado de si há séculos
graças aos leviatãs em levante
nas instituições que encontramos
a meio do caminho do barco e do bar
quais pedras ou pedreiras
no sapato do gato de botas
a passo de gaivotas feridas de morte
- asilos institucionaliazados pela violência da lei
que começa na família de felás
que nos transformam, industrialmente,
pela força bruta
oriunda da metáfora tirada
ao centauro Quirão exposto em Maquiavel,
em "Opus" para Príncipes,
ou seja políticos,
os quais, inobstante,
em sua hipocrisia natural,
fingem abominar,
vez que tal obra
é, quiça, apenas uma cartilha
mais extensa e intensa
de obra de Hitler,
na qual se exclui o judeu
e inclui todos os demais seres humanos,
excetuando os mandatários vitalícios,
para maior gáudio do rebotalho
com sua escatologia suja
de corpo fétido e alma penada
lavada na cara lavada de pau).

Ei-la!,  a união maculada do conhecimento e prática,
a filosofia e a práxis poética,
que não está na cesta básica
da plebe ignara e sub-humana
que os mefistofélicos Hitlers,
que são as instituições
vendidas e venais,
com os políticos no comando delas,
- políticos que as criaram para inserir
outra forma sutil de holocausto imperceptível,
senão sob a forma da fábula kafkiana,
em vestes talares e togas negras
em todos os dias do cotidiano
com  inquisidores, torturadores e fogueiras
para queimar as vaidades e abater o orgulho
do ser humano livre
dessa civilização para escravos estúpidos
indo do finito temático
ao infinito matemático:
tudo uma loucura para crônicas pictóricas
de Bruegel e Bosch
entre o pinturesco e o picaresco

( Entrementes, senhores dementes,
o ser humano continua belo
porque o anjo
que o desentorta
e desentoca
é o poeta
que retoma o clamor do profeta
e evira os queixumes enamorados
pela sua senhora,
tal qual o fazia Dom Quixote de La Mancha,
o cavaleiro andante sem mancha,
ainda que vivendo à sombra da Mancha,
que não mancha ninguém
( quem se mancha
e nos mancha
está no manche dos políticos,
os quais, já nem são mais homens,
mas meros "políticos",
alienações ou aberrações do homem
enquanto indivíduo,
- os políticos s]ao seres sem ser ,
atores, hipócritas,
mergulhados nas trevas do homem
que roda a liberdade
sob o olhar atento da criança
que é esta roda a rodar em ciranda ),
O homem é mais que o profeta
que lhe habita a alma
e muito mais trilhões de galáxias
que as instituições, as quais não passam de meros asilos
para acolher os fracos e derrotados
e para tornar o homem escravo
ou servo da gleba do políticos
( estas bestas do apocalipse!),
porquanto estes últimos espantalhos de palha,
os políticos, e tudo intrometidos, abelhudos,
não logram subverter o profeta
que ainda restou íntegro
mesmo sob a figura e indumentária
e paramentos em versos melífluos
do caricaturesco poeta romântico ou clássico
que não é digno
sequer de lavar os pés do profeta Amós
em sua ferocidade de leão
defendendo a verdade
e a fé no homem,
que é a fé em Deus
e não nas alienações institucionalizadas
e mantidas pela lei cruel dos potentados,
sua corrupção indevassável,
- lei e direito também cognominado, ironicamente,
de estado, reino ou república,
conquanto não passem de feudos
que não pertencem ao povo em rebanho
junto demais  alimárias no pasto,
porém são propriedade ou latifúndios sem fundo
de alguns usurpadores,
pois votamos para eleger nossos ladrões
isentos e imunes à lei.
Aliás, esse fato está registrado em toda a história humana,
uma história natural para bichos de fábula,
quando em sociedade ou comunidade
e para zoólogos, quando fora do fabulário,
sob a políticos que submete o ingênuo zoólogo
que não logo descobre
que a zoologia é uma farsa
travestida de ciência
mas cuja essência é a norma
que os símios investidos no poder
põe na violência da lei
que deve ser cumprida
ainda que pereçamos todos
- os tolos!
que somos coagidos por lei a ser.
( A lei manda não ousar ser
o que somos,
mas sim a não-ser,
apenas a se contentar
em existir
como escravos ou servos da gleba,
ó senhores pais incautos
e pedagogos que fazem as vezes do bobo
fora do recinto da coorte,
sem corte ou censura!,
ó bobos!).

A! o homem livre,
o autodidata responsável por si,
o filósofo emancipado intelectualmente,
o erudito que se auto-educou,
o poeta fútil e vil
que descobriu o profeta
dentro do seu santo dos santos!,
ai! esse (este!) homem pleno,
completo, cabal,
auto-construído, pedra por pedra,
por si mesmo,
segue a passo
e continua a galope desenfreado
até achar a besta,
que pasta dentro de cada político,
seja ele deputado, governador, escritor, médico, cientista
ou filósofo comprado com 30 moedas,
preço do Campo do Oleiro,
- segue à sombra
da espiã que me amava
e no seio da qual eu...- não mamava!
- pois trazia em segredo do degredo
a pistola oculta no sutiã
no lado esquerdo do peito feminil,
peçonha no leite derramado...
- e seu coração era uma adaga
de fino lavor.
Pobre espiã que não se amava,
mas pensava que me amava
e panas mamava
a peçonha da cascavel
que vale mais que o mundo  dos homens,
mais venenoso e pérfido
que todos os diabos!
Pobre mulher
que não sabia amar!
- e não podia, destarte, ser amada
até lavar a peçonha da alma!,
negra noite hemotóxica,
neurotóxica do veneno na veia cava...
que leva à cova...

Malgrado todos os trâmites de Mefistófeles,
o ser humano é sábio
porque o filósofo que há nele
- é toda a filosofia...
- e mais, muito mais! - que toda a filosofia!,
Mesmo porque não há filosofia alguma,
nem grega tampouco gregária,
mas apenas e tão-somente filósofos,
quando os há,
porque são poucos
aqueles que sobram da eliminação
por Jezabel, a espiã que me amava tanto!
Jezabel, Jezabel, bela Jezabel!,
que também fere de morte
profetas que se rebaixam em poetas
e trovadores de antanho
no  canto e chão
a que descem - anjos decaídos,
descaídos ébrios
embrulhados no sono pela madrugada.

Eu canto Isaías, Jeremias, Oseías
e todos o conjurados!....:
Todos os conjurados
que fazem a  muralha social e política
mover um centímetro cúbico
por século quadrado e enquadrado
pelas legiões de demônios políticos
e seus asseclas e sicários varonis
dos Brasis queimados, esturricados
pela seca de homens
que derramaram o bom leite de sangue
no chão das insurreições,
nos hinos que sublevam
até o operário resignado
e amedrontado pelo fuzil
dos cães mercenários
que se pensam gente
( mas são menos que mastins!)
quando ferem ou humilham o outro
não percebendo ( eles não tem paga para perceber!)
que breve, em outro tempo que não tarda,
a tarja será para seus filhos e netos!
E ele mesmo será esquartejado amanhã
na manhã em manha cinza
tal qual o foi o conjurado alferes Tiradentes,
que não servia mais à tropa
ou aos desígnios frios do rei
e de seus sátrapas imbecis!
Será outro Tiradentes,
que não se sabe quem foi,
que se sabe que deveria
extrair dentes,
nem mesmo se sabe
se sabre tinha,
se é que agora ou antes importava sabre
ou saber do sabre
de de outras coisas
que não se sabe.
( Em mim ri um filósofo cínico,
um Demócrito zombeteiro...
- e olha de cima
um deus epicureu
frente a infâmia humana,
a peste negra endêmica e epidêmica da estupidez
que grassa
em meio ao ambiente político imundo
aonde vai e vive e vige a lei
do rei da canalha ignara, ignóbil, vil, fementida,
pela qual nada sinto,
excepto desdém,
conquanto tenha piedade
da ingenuidade do populacho).
..............................
..............................
.............
Uma beleza nata
é cheia de graça
tal qual Maria Santíssima!:
- ...e a flor em carmim pintada pelo campo!
que oculta a víbora
sempre salvagem
nunca domada,
indômita a tal ponto
que passou a ser o símbolo e gesto
- do diabo ( ou demônio!)
que transfigurou a face do céu e da terra
criando a religião de Deus :
- deu uma religião a Deus
e outra aos pontífices
e outros políticos ímpios
que se fazem de pio :
Pio XII!
( Pia mentira?!...
Prefiro o pio da natureza
no pato, no pintainho, no pássaro).

Essa graça divina de Maria
imprime a dignidade
em suas atitudes naturais,
femininas, divinas,
às mulheres virtuosas
que sopram o oboé
e são belas oboístas
virtuoses no instrumento
que sopram seu anjo de dentro
para fora da música...
Oh! Musa, libérrima, ubérrima...
(A emoção de amar-te
não cabe nas palavras, Cassiopeia!,
- nem  naquele abraço de ontem!
ou de todos que nos daremos!)
..............................
....................................................
A inteligência congênita
traz o belo à baila
e junto vem a verdade ou aletheia,
a consonar com o contexto da língua e cultura
que pode ser grego ou romano.

Todavia há algo feio
e escuro na foice das trevas :
- a morte!

A morte no corpo do morto
é algo assim
qual folha, flor, madeira
sem árvore, erva, trepadeira, liana, arbusto...
- sem inteligência!,
 graça e beleza
pois a morte é a fealdade,
a initeligência do pedaço de pau seco
caído da queda do anjo no galho,
esgalho torto, morto,
sem vida,
sem inteligência
- que é vida!
Por isso a morte é tão rejeitada!,
nunca aceita...

Pior que a morte
é a eutanásia,
morte pelo médico,
indigna morte,
quando não é piedosa
( mas nunca é piedosa!) :
A eutanásia é ato mais abominável
que o suicídio,
pois o suicídio é a decisão do louco,
do desesperado,
ou que quem sabe
o que é melhor para si,
mas, apesar dos pesares e percalços
- o suicídio é uma decisão do ser
revirado em si
no gesto do verme
a se retorcer de dor,
que se mata,
dando fim a uma indignidade.
Já a  eutanásia é fria atitude da razão,
mera economia da morte
- e quiçá da vida
que se desgasta no vegetal fixado em raiz
de sistema nervoso plantado
em alma sem sonar
para morcego voar à noite...
- a noite!,
antes da noite
que está viva
fora dos nervos do sistema
que, nervoso, agarra-se à derradeira erva daninha
- que não passa da primeira filósofa cínica
dominadora dos sistemas
que regem a vida e a morte.

A morte só é bela na "Pietà",
na tragédia, que é sempre uma deusa grega,
e cuja filha é a filosofia,
outra grega divindade,
pois tão-somente na arte está salva da fealdade
- pelo frágil poder do eufemismo,
que me parece atitude feminina-fetichista
com rasgo religioso-político
e poder de cura
pelo amor sublime
ou paixão avassaladora
que subverte a ordem
e dá coordenadas à desordem.

( Excerto do Opúsculo " Livro de Lei Proibido para Imbecis e Idiotas Endêmicos e Epidêmicos, mas não Vedado às Ervas Daninhas porque são Filósofas Cínicas e não Estúpidos Acríticos!") 

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sábado, 23 de março de 2013

NEXO(NEXO!) - glossário glossario

Ficheiro:Gustav Klimt 016.jpg
Cassiopeia, minha  constelação de amor,
jamais quis, precisei, desejei, amei
qualquer mulher que fosse
- com paixão semelhante
ao sentimento de amor
completo e complexo
que tenho por você
batendo sob o plexo
com nexo ou sem nexo,
com sexo ou sem sexo.
( Claro que quero
bastante sexo,
que a paixão não se aplaca
senão com muito ato de amor!).

Quero beijar você até a alva
perder a cor
na barra da noite
- e a barra da noite
empalidecer
no dilúculo
gotejante de orvalho.
( Valho o orvalho...
Valha-me Deus!,
quanto alho olho!:
molhos de alhos,
vale no vale
ou na vala
que valha a navalha?!).

Com o rocio no cio,
rumorejando o arroio
quero receber e doar
todo o caudal da saliva
passada durante o ósculo
nos oaristos
que encetaremos
mas não terminaremos
nem quando o tempo for nunca,
pois nosso beijo
não achará abrigo no fim
ideado pelo filósofo Aristóteles
ou pelo pintor Klimt,
o qual pintou "O Beijo"
obra de "Art Nouveau"
( Vide o movimento cognominado(?)
de Secessão austríaca ou vienense).

Quem, Cassiopeia, achou um filão
- de amor, de paixão,
- que é nosso caso casado,
ou mesmo apenas
uma pérola de amor
dentro de uma ostra
que nos une
com coração de um
a bater pelo coração do outro
( e de mais ninguém!)
- quem assim achou
tanto amor
dum peito a outro peito
em dum-dum de tambor,
aparta-se da velha solidão,
do velho tempo
perde os andrajos do corpo
que ficou em lixo de células mortas
e fecha-se dentro da ostra
que nos abriga do mundo
iluminado pelo Canis Major.

- E nós achamos o rico filão!,
e a pérola a nos espiar
e escolher de dentro da ostra!,
hermética ao ostracismo
dos ostrogodos do mundo
dos homens bárbaros, godos,
góticos nos pórticos das catedrais medievais
e lá vai séculos,
marcados a passos de pó
no Pórtico e São Benedetto,
comuna na região da Emília-Romanha...
Ah! Se chamasses Simonis del Bardi...
não terias teu nome
como nume na Cassiopeia,
mulher querida no meu coração!

Ah! A pérola para um colar...,
achamo-la nós!,
ó amada minha,
minh'alma partilhada,
ainda sofrendo apartada!,
flor nos meus olhos,
minha vida,luz e coração!
E por causa desta descoberta,
da pérola dentro da ostra,
do veio de amor sem limites,
aspiramos separar-nos do mundo hipócrita
e ter  vida nova ( Vita Nuova, Dante Alighheri!)
tal qual fazia o cristão
que amava tanto sua causa
que preferia o martírio
a continuar sem sua fé,
que era sua esperança única
e seu único amor e bem
no mundo sob a luz do Canis Minor
que minora a hora no céu.
( Seria tudo um preanúncio do amor
e da Divina Comédia
que é a vida humana,
senhora minha?!
Outrossim os comunistas
pereceram sob tortura
por uma causa
que não valia a pena
e muito menos a vida
tudo porque  o contexto os vestiam
- de vestais!
e neles investiam
um tempo para o mártir
e outro para os que faziam a colheita
dos frutos regados a sangue!,
porque assim é o mundo,
minha doce e pura senhora,
que ainda não é minha,
mas de outro mais feliz
ou infeliz sem seu amor
- que é meu apenas!,
desde o seu berço
no desenhos dos seus olhos
buscando luz nas sombras
que desenhasse minha face
e desdenhasse as demais).

Eu, bela Cassiopeia,
não sei mais viver
sem tocá-la amorosamente todo dia,
sem abraçá-la carinhosamente,
olhar em seus olhos,
amar você perenemente
com imenso respeito...
ouvir sua voz
que adoro...
- até que chegue o dia da sega!
e a lua carregue a foice
do verdugo que ronda a vida.
Até aquele dia fatídico!

Você, Cassiopeia,
é uma constelação  suspensa no céu
sobre minha cabeça nua sem chapéu.
- Eu, um demônio caído na terra
( demônio em grego significa sábio,
diz Erasmo de Rotterdan
em "Elogio da Loucura"
a única obra de psiquiatria real
antes de Michel Foucault escrever com maestria
sua "Historie de la Folie",
na qual aborda o poder psiquiátrico
ou a psiquiatria como poder de polícia
e médicos como "policiais de branco"
Obras dessa envergadura intelectual
são ignoradas pelos louco no poder
secular e regular).

Se algum dia
a Cassiopeia apagar-se no céu
restarei num andarilho
que se arrasta à sombra vinculado
tiritando de frio
- até que a morte por hipotermia(hipotermia!)
venha e transfigure o nosso cálido amor
- de lava de vulcão apaixonado
em branco glaciar.

( Vamos viver nosso amor, Cassiopeia,
enquanto temos tempo
e não uma Era Glacial
a nos separar eternamente
sob camadas de gelo?
Vamos arrostar o mundo
mesmo sabendo
que seremos mártires do mundo?!...,
pois mesmo se o não fizermos,
não nos amarmos
até as vias de fato
aonde querem chegar os nossos corpos quentes,
ficaremos a mitigar a frustração
olhando para dois olhos
com um  amor maior e mais belo que o universo,
mas poderá não ser realizado cabalmente,
como pode e deve ser,
custe o que custar,
doa a quem doer,
pois não haveremos de ser pusilânimes,
cruéis conosco mesmo,
proibindo-nos de viver este amor imenso e puro,
que os outros proibiram
graças a circunstâncias
que não nos favoreceram,
mas favoreceram a eles
que exigem que nos amputemos desta paixão...
Todavia, mesmo se fizermos o que eles querem
impor-nos cruelmente
desrespeitando nossos desejos mais ardentes,
ainda assim
e por isso mesmo
- assistirão com júbilo
nossa morte precoce
que começará pelo sacrifício deste amor puro
-  um amor santo
que não conhece a maldade
e tem o poder de realizar maximamente
até o ponto de deixar encontrar rasto de nós
à beira do caminhante
sobre terra ou água
nos pés nus de carmelita descalço
- que será  nosso filho
ou nossa filha
que será nosso amor em chama ardente,
que nem as ardentias do mar apagará
- dos pés do caminhante,
que escreverá nas areias da ampulheta
com um pé na alpergata
e outro nu no solo
a nossa história de amor
mais bela que Romeu e Julieta,
ou qualquer outra
que foi ou que há-de vir
empós as nossas auroras juntas,
pois nossa paixão,
na acepção grega do termo,
não será meramente  uma história poética
ou científica( Deus nos livre!),
ou filosófica, religiosa, mística...( Deus nos tenha!),
mas sim uma realidade experienciada a dois,
vivida até os ossos
que o levam na morte!
- Nossa paixão,
 uma experiência  a três com o filho...
a quatro mãos com  a neta, tataraneto...
o qual será o caminhante
 ainda que sem rumo!,
mas na senda,
porquanto sempre será torto o mundo
que é dos homens e dos direitos
que se arrogam os feudais senhores
donos das almas e espíritos venais
- mas não da barra da alva...,
Cassiopeia minha,
que nessa eles não podem tocar
assim como não hão-de tocar
na sua flor de laranjeira
que lateja já por mim
desde a primeira vez
que seus olhos
deram luz à minha face
deitada no pensamento filosófico,
que era minh'alma errabunda
antes de você ma tomar
com suas legiões de amor
a lançar flechas incendiárias fatais...

Nosso amor sobreviverá
ao que vier :
ele já está escrito
n'alma, no peito, nos olhos,
no corpo inteiro,
- em todo o cosmos!!!

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Ficheiro:Gustav Klimt 016.jpg


sábado, 9 de março de 2013

BESTIÁRIO(BESTIÁRIO!) - glossario glossario

Quero fugir para a Ilíria("illyricum")
a terra dos homens livres.
( Livres de quê e para quê?!:
para mercar?!
Pestanejar?!
Burilar a nomenclatura botânica...)

Desejo ardentemente
sair desta terra de escravos,
títeres e fantasmas pasmos
em tresloucada diáspora
- fugir dos judeus que judiam de mim
por dentro do coração carmesim
porquanto anseiam deixar o cativeiro
na terra do estrangeiro
e voar ao encontro
de longas asas
de cara na vela do sol
e coroa votada às cefeidas
que ceifam uma vela padrão.
Porém sei que nem lá,
na Ilíria destes tempos em mosaicos
ou em arabescos nababescos,
há mais homens livres
depois desta civilização para escravos
que tomou tudo de roldão
e tornou servo da moeda
ricos e pobres,
mas não nobres
que estes não envilecem por cobre
ouro ou sabre (sabre lá, sabiá?!...
sabe-se lá, sábado, em Sabbath!?...
em bacanais em que tonteais,
em tonterias e outras histerias,
em processo de resiliência, histerese...).

Não há mais Ilíria,
região ilírica,
para-lírica,
mas apenas (que pena!)
hilária pilhéria,
hilário palhaço
a balouçar o incensário
empunhar o missário,
o bestiário(bestiário!)...
e fazer mau uso do bestunto
em qualquer assunto
de malmequer, bem-me-quer,
na botânica,
na desbotânica
desbotada em flor e pistilo,
estigma, gineceu,  androceu
( O que é seu?!
e o que é meu, meus Deus!?...
dos desesperados!
- ou do desesperado que sou
desde o primeiro céu em hora de aurora
com luz nos olhos de quem olha
e vê o rasgar lucífero das trevas!...).

A flor em seu furor
uterino
é um malmequer.
Malquerença fundada em crença,
desavença
que bota a bota da botânica
na Itália, Gália...
- bem como, ou mal como,
 a desbotânica
sem tônica,
catatônica.
aplatônica...
( A botânica bota no objeto
o ser platônico
que se vira
em amor por flor
- uma filosflor (filosoflor!)
a filosoflorar
com filosofia inacabada
ou alterada pela terra
que agarra a raiz
e molha com molho
o molho do filos,
da família, do gênero, da espécie-Darwin,
da cosmomonia, cosmonomia, cosmogonia,
teogonia(teogonia!)...
que mia no gato,
guincha no rato,
se adequa no pato
em grasnido para corvo,
grunhe no corpo porco...
enfim, chega!).

Quem bem-me-quer
mal não me quer.
E há quem nem me quer
- por certo
e por perto.
E é certo ( ou errado?)
que perto às vezes
é longe demais
mesmo se não segregais
e ainda que "segredais"
ou estais a secretar hormônios
em oaristos,
"ma belle".
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domingo, 27 de janeiro de 2013

TESA(TESA!) - etimologia glossario


O pensamento com perspectiva filosofante
não  passa de um ceticismo teórico,
mas a vida
não se reduz à razão,
pois esse reducionismo empobrece
a relação humana
que é mais rica
que o Quietismo.

A filosofia enquanto crítica acerba
do conhecimento teórico
não permite que o pensamento
chegue ao ponto de fé
ou ao ponto de orvalho
face de areia
lavada pelos olhos
do outro que chora.

A fé,  que é a vida,
que é a esperança,
que salva,
que é o amor,
que é a caridade,
na acepção latina de "caritas" :
amor divino,
a fé e a razão
têm que ser equalizada
na equação
que cabe na física e na matemática
em linguagens poéticas para-glaciares,
sem a libido,
mas não no homem
e na mulher,
onde cabe o amor,
que na paixão vem destroçar
- o coração irrequieto.

A filosofia moderna
livre até no conhecimento,
e do próprio conhecimento liberta,
insurreta, sempre amotinada,
iconoclasta,
indiferente à limitação que representa a ciência,
mera encenação para gente limitada
que não tem cérebro para ato filosófico,
sabe que  o conhecimento científico,
ou da razão ("Scientia rationis")
se restringe ao teorético,
e, portanto, não contamina a prática
do homem comum
nem a práxis do sábio,
pois o fazer
casa-se com o saber
que é pura fé,
vida, amor, caridade...,
porquanto a sabedoria
é inata, ingênita,
viva na inteligência viva da criança
e morta nos adultos amortecidos,
embotados, estapafúrdios, basbaques...

Quando eu era um filósofo epicúreo

olhava com tamanho desdém,
abrangia com um olhar irônico,
sobranceiro e eivado de indiferença
todos os seres humanos.
Hoje fico a cismar
se não foi pelo meu antigo desprezo
pela torpe humanidade
que me apaixonei de verdade
e,à primeira vista me encantei,
desmensuradamente
ao deparar com a medusa
subindo as escadas
que eu então descia
e o desdém aliado à sua beleza
evocou-me o meu ar escarninho de antanho
como o escárnio(escárnio!)
apegado à minha inteligência livre e natural,
tirada ao gênio da natureza,
- ao gênio nas crianças!

Será que quando vi a medusa
o que amei foi o epicureu em mim,
observando-o nela refletido
como se fora um Narciso
em forma feminina?!

Ah! o amor!
A paixão, pacto com fogo,
esta lava
que lava a face,
a face de areia
em banho na clepsidra,
com a água da clepsidra,
que apaga a areia
e cava a face
como se fosse uma fauce(fauce!)
ou  uma cova
antes da cova a final.
Vinca-a, ao andar sobre a areia,
o tempo, este filósofo epicurista,
aqui escriba.

As faces dela e minha
na areia da ampulheta
contadas em tempo
são fauces
e foices da morte
que sega.

Quando a vi
subindo a escada
toda tesa(tesa!)
em sua beleza exuberante
fiquei embevecido, extasiado!
Só depois do choque tremendo
é que me ocorreu
que eu era assim
um deus epicúreo
com todo o direito
de desprezar o mundo
dos homens vis
e das mulheres venais
que valem os seus míseros reais,
mas não valem uma flor-de-lis,
nem um miosótis pequenino :
- gente abortada,
sem beleza e destituída de inteligência,
sem dignidade nem honra,
decrépitos, insolentes, levianos,
ineptos para o amor,
inermes vermes...

Vi-a e só então recordei-me,
caí em mim de maduro,
- que eu sou assim
igual a ela,
não similar nem semelhante,
mas igual a ela na equação,
seja no odor que exala da carne
e dos cabelos negros
ou no que mais possa ser
a quatro olhos negros na noite.

Somos um ser ( em dois!) assim
- sem perfumes, nem disfarces, nem ciúmes...
simples, porém não simplórios,
capazes de desprezar o mundo inteiro,
mas a nos amar
até a eternidade passar
e escrever o saltério e os cantares
dessa paixão de vulcão em erupção
nos céus, em rolos de pergaminho,
e na terra, onde nasce o papiro,
epicúrea medusa!

( Excerto dos "Apócrifos da Medusa" e do livro "Os  Cantos Sobranceiros do Jardim de um Deus Epicúreo")

Ficheiro:AUGUST RODIN O pensador (vista frontal).jpg
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quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

ANFIBOLOGIA(ANFIBOLOGIA!) - glossario etimo lexico


O poeta é o filósofo
no plano vegetal,
no sistema nervoso autônomo:
o arquiteto do "pathos"
e do pacto com Deus;
o filósofo é o poeta
no plano social :
o engenheiro do caos.

Tem licença poética
e pode escrever em versos
sem compromisso algum
com as verdades alheias,
alhures na ciência
ou na filosofia,
que também só tem compromisso
com a liberdade.

Por isso pode escrever assim,
conforme abaixo,
depois dos dois pontos,
sua  ação em dissertação de filósofo vegetal,
pois o poeta é o filósofo natural,
mas e mais para a natureza do fenomenológico,
fenomenologista ou fenomenólogo que é :
No transcurso do sono,
reza o poeta,
o livre-pensador,
o filósofo em sistema de erva daninha,
durante o sono
o que pode levar à morte
é a bradicardia,
porquanto o sono relaxa o corpo
e o coração então tende a parar
e só não para, na maioria das vezes
graças às leis complexas da inércia,
o que é um paradoxo,
pois leis trazem sempre anfibologia(anfibologia!).
Inobstante, uma bradicardia severa
pode levar à morte
por apnéia ou dispnéia
o indefeso adormecido.

Todavia, não é a dispnéia ou apnéia
que mata,
porém sim a bradicardia,
uma vez que a dispnéia
é apenas um problema do sono
quando o coração diminui
ou, quem sabe, aumenta o ritmo cardíaco
no transcurso do repouso
porque o sistema é cardio-respiratório-vascular
e, portanto, não seria inteligente inferir
que os transtornos do sono
recaiam apenas na apnéia noturna.

Na realidade, talvez,
a morte súbita venha
( que não me venha!
nem a ti, Medusa,
que és toda a minha vida!:
sem ti não saberei viver mais,
pois só haveria ontem
e não outro dia,
outra manhã...)
da parte parada, em aparte,
do coração que está no peito
batendo no ritmo do carnaval
que vitimou uma personagem de Jorge Amado.
( Adeus Vadinho!, de Dona Flor,
de Jorge Amado!
Adeus, Vadinho tão amado
pela bela flor que tinha!).
(Quão feliz seria
se me amasse a Medusa!,
que não é minha...
- mas minha musa é,com fé! ).

Ao ocorrer a bradicardia severa,
no escuro do sono,
o cérebro entra em pânico
e age pelo pesadelo,
que é uma reação desesperada
para acordar a bela adormecida.
Caso o sistema nervoso autônomo
não tenha sucesso
advém a  parada cardíaca
e, concomitantemente, respiratória
e, consequentemente, a morte.
Há vários tipos de pesadelos.
Uma vez tive um pesadelo
no qual uma víbora negra,
grande e pesada
estava sobre o meu peito enrodilhada;
ao acordar espavorido
a cobra ainda pesava na anatomia,
mas não me entrou na retina
e sumiu no ar
sem peso algum,
sem massa corporal.
D"outra feita era o demônio
que me sufocava
e no pesadelo
estava eu cônscio
que se não me movesse minimamente
morreria ali deitado, inerte, inerme.
Mexi um dedo,
movi um mundo
e o corpo voltou à superfície
ansioso para respirar
e sentir a inspiração da vida,
o sopro doce e musical do oboé
tocada pelo anjo do Senhor,
no dia do Senhor.
O diabo não me afogou
- no fogo do inferno?!
Não pode comigo, amigo.
( Os sistemas nervosos
sabem da iminência da morte
e lançam pesadelos
nos quais estão presentes
entes queridos falecidos
a fim de que o "paciente" do cérebro
(cadê o Pink?!)
acorde para a vida
ao invés de se deixar afundar
num  poço de águas profundas
aonde irá se afogar
- saiba nadar ou não,
seja peixe ou feixe de lenha na corredeira do rio
que quer mar
como quero minha medusa.
Ah! quanto querer!!!).

Não, senhores que se julgam doutores
e não o são
( doutos são os filósofos,
que além de eruditos
põe no mundo sua tese original
e não mera cópia reprográfica
de doutrinas alheias
esparsas alhures
pelos alfarrábios
com vasta população de traças e carunchos,
ácaros e acaricidas...
Não dá mais alergia
o ácaro que o acaricida?!);
não, senhoras com doutorados,
mas não são doutas,
antes são doudas borboletas ligeiras;
entretanto, possuem o título mercantil,
no Brasil dos asnos de ouro,
mas sem Apuleyos (Apuleio!);
não, não, não-doutos médicos,
não é a apnéia
ou a dispnéia
que mata o dorminhoco oco :
é a bradicardia severa!
ou, quiçá, quem sabe,
um complexo de problemas
sem emblemas, enfisemas
ou outras lexemas.
( Viva a ema
e a seriema
e a serra e o planalto da Borborema!)

Nunca, jamais vi um notório "roncador",
senhor doutor,
( na Serra do Roncador ou alhures!)
que tenha morrido no curso do sono.
Não, aqueles que roncam
voltam a pescar a aurora viva
no peixe vivo tomado à mão do canoeiro
- na barcarola do rio São Francisco,
que é um monge franciscano descalço,
não uma carmelita descalça,
não uma das "Teresas"
de Santa Teresa de Ávila,
doutora da Igreja
de fato e de direito.
( Foi Santa Terezinha do Menino Jesus
uma de suas "Teresas"?!
- Esta outra douta,
santa cujo símbolo
é a rosa que viaja no ar...
com minha Medusa?!).

O sistema nervoso vegetal
ou autônomo, ou o poeta interior,
- no interior da aldeia
conglomerada na junção da imaginação,
- aldeia que é o ser humano individual
convivendo "coletivamente"
com seus fantasmas
em aldeias-fantasmas
e com o populacho bronco,
os vilões das "vilas" ricas,
com reino por dentro do sono
e império a constituir-se por fora
no sonho de olhos abertos,
- o sistema vegetativo
que mantem o ser vivo,
peleja ininterruptamente
contra a morte
em seus surtos intermitentes,
qual fosse um paladino
com o gládio do pesadelo em riste
passando à espada as hostes da morte.

O  cérebro bifronte,
com sistema involuntário
e sistema voluntário,
frente ao desafio
que lhe lança a morte
à galope no corcel amarelo
desafia o frontispício do templo do deus Jano,
o bifronte, no tempo,
enquanto o diabo
fica sentado em meio ao redemoinho
pondo a girar seu corpo em areia e vento
no pião do menino
e, destarte diabólica,
maquiavélica,
do demônio em circunvolução de poeira,
faz de si em giro
um  outro Adão
em "alter ego".
Esta a alteridade do diabo com o homem
e na mulher com as serpentes nos cabelos
- da Medusa!

Quem não tem licença poética...
que não me perdoe!
- mas que saiba! :
que sou homem indômito,
selvagem, ermitão,
santo, monge, casto...
e não há mito
que me subjugue
no rito,
- nem rito
que me faça dançar,
( faca nos dentes!)
cantar, tocar cítara,
escrever ou representar um drama
sacro ou profano, ufano...
- que me faça dançar um mistério popular!

(Mas ela pode tudo comigo,
a minha Medusa...
que me domina
com um simples olhar
ou modo de mexer a cabeça,
os olhos, o gingado simples e honesto
- e a boca bela entreabrir-se
num sussurro de comando
que acato embevecido...).

( Excerto da obra "O Opúsculo do Organista Inimaginável da Capela Gótica de Sainte-Chapelle").
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